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Por que não se deve argumentar com um abusador emocional

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Por Berit Brogaard

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”Eu passei várias semanas organizando os papéis e arquivos domésticos que Ernie e eu havíamos acumulado por mais de 20 anos. Após uma triagem, eu categorizei tudo e criei um código com cores para os arquivos: Negócios, médico, seguro, pessoais, etc. O resultado foram três gavetas de arquivos.






Foi um trabalho longo e enfadonho. Às vezes eu falava para Ernie sobre como o trabalho estava progredindo. Finalmente, depois de duas semanas de trabalho, eu estava feliz por ter concluído. Eu disse: ´´Ernie, terminei os arquivos. Deu muito trabalho”. Eu abri as gavetas e mostrei o que tinha feito. Ele disse: ‘´Uau! Estou impressionado´’. Com um sorriso, eu disse, ´’Você está?’´. Ele respondeu com uma voz estranha: ‘´Estou impressionado com a forma como você fez para esses nomes caberem em todas essas pequenas etiquetas´’. Eu disse, ´’Oh, Ernie, eu os digitei. Essa não foi a parte mais difícil…”. Ele me interrompeu com um olhar sério e disse: ´’Bem, eu acho que foi”.

O abuso emocional pode acontecer sempre dessa forma sutil, como a história de ´Evans´ ilustra. No entanto, ele deixa a vítima com muita dor e confusão. Acreditando em uma realidade diferente, onde as pessoas são racionais e se comunicam de forma racional, a vítima tenta dar sentido ao tratamento do seu agressor, sem entender que, às vezes, o comportamento dos outros não faz sentido, não tem explicação racional, e não tem nada a ver com ele ou ela.


Mas apensar de se sentir mal, a vítima não tenta colocar um fim nisso, ela prefere continuar procurando explicações sobre o que poderia ter motivado o abusador a tratá-la dessa forma. A vítima acredita que alguma coisa no seu comportamento teria motivado a atitude e que merecia ser tratada mal.

Porque a vítima ainda não compreende totalmente a ideia de um abuso emocional – um abuso em um nível puramente verbal ou mental – ela pensa que os maus-tratos do abusador devem ter uma explicação racional.

Então, a vítima confronta o comportamento, não da forma como deveria enfrentar esse tipo comportamento, mas da forma como ela lida com um comportamento racional. A vítima pede uma explicação, pede exemplos das generalizações feitas pelo abusador, e pede para o abusador dar um  sentido ao abuso.

Mas a vítima acaba perdendo. Abusadores verbais e emocionais não agem racionalmente. Procurar uma razão ou tentar argumentar com eles é inútil. Eles não têm razões para se comportarem dessa maneira e vão responder com mais abuso.

Você não pode racionalizar um abusador.

Poucas pessoas realmente compreendem o abuso emocional. A maioria das pessoas que estão nesta situação não percebem ao que estão expostas. Elas desesperadamente querem que os outros se comportem de forma racional. Elas entendem que sempre há boas razões para sentir raiva e irritação. Elas entendem que nem todos se dão bem o tempo todo. Mas elas não conseguem ver que, quando alguém é verbalmente abusivo, suas ações não estão fundamentadas na razão.


Responder eficazmente ao abuso verbal requer, antes de tudo, reconhecer que não faz qualquer sentido tentar argumentar com o agressor.

Um agressor verbal irá definir a sua realidade, decidir o que você pode ou não pode fazer, e vai tratá-la como a parte feia de si mesmos, uma parte que eles precisam se livrar.

Há apenas uma maneira de acabar com o abuso verbal: Chamando a atenção do agressor.

Se isso não funcionar, a única saída é deixar essa relação tão rápido quanto você puder.

Fonte: PsychologyToday traduzido e adaptado por Psiconlinews

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