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Distorções Cognitivas: 7 formas que a mente usa para nos sabotar

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Autoestima. Um dos conceitos mais empregados e abordados na história da psicologia. Foi a corrente cognitiva (que inclui o “mental” dentro da equação humana) que priorizou o conceito de autoestima na psicologia, definindo-a como a forma (positiva ou negativa) que nos valorizamos.





É esta mesma abordagem que define a autoestima como o principal pilar da saúde mental. Com uma autoestima positiva, é muito mais provável que tenhamos mais pensamentos positivos sobre o mundo e sobre nós mesmos, uma percepção mais otimista sobre o futuro e uma maior sensação subjetiva de felicidade .

Quando a autoestima é baixa…

Se a autoestima é negativa os efeitos invertem. Se tivermos uma autoestima ruim, esta será a causa e a consequência de pensamentos e percepções negativas.

E é nesse círculo vicioso que se escondem as distorções cognitivas, as idéias irracionais e os pensamentos automáticos negativos. A tríade da doença mental, de acordo com a psicologia cognitiva. Enfim, definimos as ideias irracionais como crenças que não têm fundamento na realidade e que nos são prejudiciais (Ex: Todos devem aprovar a minha conduta, caso contrário não valho nada) e os pensamentos negativos automáticos como julgamentos negativos (Ex: Não estão rindo da minha piada; eu não sirvo pra nada).

Onde as distorções cognitivas se escondem?





Distorção cognitiva é o processo ou operação que faz com que nossa mente transforme uma crença irracional em um pensamento automático negativo. Isto é, uma forma pela qual nossa própria mente nos ataca.

Vejamos um exemplo geral para simplificar:

Um dia, levantamos cedo pela manhã, cheios de energia e começamos um circuito rotineiro de banho e café com torradas. Não que haja algo de especial nesse processo, mas nos sentimos bem. No caminho ao trabalho pensamos o quão próximo está o cargo de Diretor de Seção para o qual temos nos preparado por meses.

“Claro que ele vai me dar esse cargo, eu o mereço”, você pensa. Imagine a surpresa quando você chega ao trabalho e se depara com o que está bem ao lado da nossa mesa: são as coisas do Pedro, seu colega de trabalho, que estão sendo transportadas para o escritório de diretor de seção… sim, o cargo foi dado a ele. Esqueceram de você mas, por outro lado, é um parceiro seu, e você fica feliz por ele.

Uma situação bastante comum, não é? Vamos ver o que faria a nossa mente se seguisse a lógica de algumas das distorções cognitivas mais comuns:

1. Hipergeneralização

Trata-se de transformar um fato em particular em uma regra geral, passando a considerá-la verdadeira sem precisar comprová-la. “Nunca serei bom o suficiente para esse trabalho” é o que acreditaríamos se hipergeneralizássemos ao não conseguirmos  passar em uma entrevista de emprego.

Sabemos que estamos hipergeneralizando quando usamos em demasia termos como: sempre, cada, nenhum, nunca, não, todos… etc.

2. Designação global

O mecanismo seria o mesmo que o anterior, a única coisa que os diferencia é o fato de que a designação global nos dá um rótulo global, em vez de uma regra geral. Seria o mecanismo por trás de pensamentos como: “Eu sou um fracasso”.

Quando começamos a usar clichês e estereótipos para julgar o nosso comportamento de maneira insultuosa, podemos considerar a possibilidade de estar caindo nessa distorção cognitiva.

3. Filtragem





Através deste tipo de distorção cognitiva, a mente filtra a realidade vivida selecionando apenas alguns aspectos e ignorando outros. No exemplo citado acima, nos concentraríamos na perda da oportunidade de trabalho e no quanto somos inúteis, deixando passar em branco o fato de que podemos melhorar e a alegria que poderíamos sentir pelo nosso colega de trabalho.

Podemos nos preocupar com essa distorção quando nos criticamos recorrentemente por coisas que já passaram, por perdas, injustiças… etc.

4. Pensamento polarizado

Se estivéssemos sob efeito desta distorção, no exemplo dado originaria uma premissa como: “Se não me derem esse trabalho agora, será o fim do meu futuro profissional.” É uma maneira absolutista de se pensar; branco no preto, sem nenhuma outra opção, como o cinza.

Quando colocamos desafios, metas ou realidades com condições (“se…”), contrastando-as com resultados definitivos (ou “me dão o emprego, ou…”) provavelmente estamos nos utilizando desta distorção.

5. Autoacusação

Consiste em pensar de forma que a culpa sempre recaia sobre nós mesmos, independente de termos ou não alguma responsabilidade real sobre o ocorrido. Aplicando ao exemplo, nossos pensamentos assumiriam a forma de: “É claro, se tudo o que eu faço dá errado, que estupidez a minha achar que eu ganharia esse cargo. Me desculparei com o Pedro para ele não achar que não fiquei feliz por ele”.

Um sintoma dessa distorção cognitiva é ficar continuamente pedindo perdão. Nos sentimos realmente culpados por algo específico e pedimos perdão compulsivamente.

6. Personalização

Acontece quando nos sentimos como se fôssemos culpados, ou que estamos relacionados de alguma forma, a todos os problemas à nossa volta. É semelhante à autoacusação, só que capta a realidade de todos ao nosso redor, dando-nos o papel de protagonista.

No exemplo, o pensamento seria algo como: “Eu sabia que o chefe havia me marcado por não guardar aqueles clipes. O que eu não imaginava é que ele iria se aliar com Pedro para me excluir”.

7. Leitura da Mente

Como o nome sugere, o erro ou a distorção está em assumir que sabemos o que o outro pensa ou sente a nosso respeito. O que realmente acontece é que nós projetamos sobre os outros as nossas próprias emoções.

Essa distorção cognitiva é especialmente prejudicial neste caso, porque consiste em um ataque constante em tempo real à nossa autoestima. Daria origem a pensamentos como: “Claro, o chefe me interpretou mal. Pensa que eu não faço o suficiente e por isso me manteve aqui”.

E agora?

É verdade que as distorções cognitivas não são conhecimentos recentes, mas, hoje em dia, em um mundo em que a autoestima adotou uma nova dimensão digital, é necessário enfatizarmos essas falhas que a mente humana tende a cometer na hora de avaliar a nós mesmos.

Sem mais, os exemplos mostrados aqui fazem parte da vida de maneira natural, mas nós podemos escolher não nos prejudicar e nos valorizar como merecemos.

Portanto, não podemos esquecer da autonomia das nossas vidas e nos fazer a pergunta chave: E agora? Será que vamos deixar que isso caia novamente no esquecimento ou optaremos por usar essas pequenas pinceladas de conhecimento?

Como sempre, a decisão pertence a cada um de nós.

About the Author Taiz de Souza

Apaixonada por psicologia, se dedica a pesquisar continuamente os assuntos mais atuais e variados relacionados a psicologia a fim partilhar artigos interessantes e confiáveis a todos que apreciam.

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