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Caso Andreas Von Richthofen: ‘Um trauma não ganha intensidade quando a pessoa sente que não está só’

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Cirilo Liberatori Tissot, médico psiquiatra e sócio fundador da Sociedade Paulista de Terapia Familiar, entende que alguns casos de dependência química necessitam de internação compulsória. No entanto afirma que apenas o tratamento não é o suficiente, necessitando de um apoio psicológico e um plano de organização para que o usuário possa encontrar um novo sentido para viver sem o uso de drogas.





Até que ponto a tragédia que se abateu sobre Andreas von Richthofen pode ter colaborado para seu problema com drogas?

Um trauma não ganha tanta intensidade quando a pessoa sente que não está sozinha. Esse rapaz sofreu algo único, porque perdeu os pais em função de uma conduta criminosa da irmã. Ele está sozinho, não tem como consolá-lo. Só ele sabe pelo que está passando. Qual o significado que vai dar à própria vida? É difícil desenvolver mecanismos de defesa sozinho, ele precisa de ajuda. E a droga se impõe ao sofrimento de qualquer pessoa.





A internação, após ser levado por policiais, pode ser considerada irregular?

Ele estava confuso, em um quadro em que poderia fazer mal a ele ou a outras pessoas. Ele invadiu uma casa, poderia até ter tomado um tiro do morador. Ele não estava em condições de cuidar de si mesmo. Se corretamente diagnosticado, junto com a permissão de um juiz, ele poderia ser encaminhado para um tratamento. Deveria existir uma proposta já estruturada para ele (de tratamento), com começo, meio e fim.

O que pode levar uma pessoa à dependência química?

Estamos falando de compulsão. É uma relação que a pessoa tem da droga com o próprio organismo, onde o organismo entende que aquilo tem que continuar acontecendo caso a pessoa não tome determinada medicação. Hoje sabemos que também há entre 40% e 60% de responsabilidade genética.





Qual é o tratamento adequado para pessoas em situação de dependência?

São metas que precisam ser cumpridas. O tratamento ensina a pessoa a viver sem drogas. Ela precisa se qualificar, receber instrumentos para viver a abstinência. Mas ela precisa adquirir uma crítica sobre si mesma. A partir do momento em que se torna crítica, ela pode começar a discutir valores que darão sustentação a uma vida sem drogas. Ela precisa de um objetivo, acreditar que a vida pode ser melhor.

 Fonte: O globo

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