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Ser pai no facebook é muito fácil. Complicado é uma mulher ser pai e mãe ao mesmo tempo.

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Hoje é o dia dos  pais, inevitavelmente, a inspiração pulsou em mim para escrever sobre esse universo tão complexo e plural da paternidade.





Eu não escolhi os termos complexo e plural por acaso. É complexo porque é permeado de relatividades e é plural porque a paternidade está, em número cada vez mais crescente, sendo exercida por pessoas que não são os genitores masculinos, em sua maioria pelas mães.

Em tempos de redes sociais, existem incontáveis exposições de fotos perfeitas de “pais e filhos”. As imagens são lindas, comoventes, fofas e inspiradoras. Entretanto, baseando-me em realidades que conheço de perto, afirmo que, lamentavelmente, nem sempre aquela beleza das fotos é um reflexo de um cotidiano de paternidade. Tornou-se moda a paternidade por conveniência, que não passa de um teatro, onde muitas vezes, aquele “pai” tem contato com o filho muito esporadicamente, então, nesses momentos, capricham nas selfies e publicam com a motivação exclusiva de obter curtidas e elogios daqueles que “não sabem da missa um terço”.





Infelizmente, ainda não inventaram uma câmera fotográfica que seja capaz de captar além das aparências. A tecnologia ainda não evoluiu ao ponto de mostrar, numa fotografia, os sentimentos. Uma foto até pode mostrar um rosto choroso ou triste, enfim, uma lente pode captar as expressões faciais que poderão ser reais ou simuladas, contudo, jamais mostrarão o que se passa na alma de alguém. Imagina se numa foto aparecessem a tristeza e o sentimento de abandono de uma criança que só tem contato com o pai somente quando este não tem nada de interessante para fazer. Certamente uma foto assim, ao ser publicada, não receberia nenhum coraçãozinho, nem “curti”, pelo contrário, seria cheia de carinha de choro, não acham?

Ah, se essas fotos mostrassem as angústias de uma mãe solitária que tem que se desdobrar para dar conta de ofertar ao menos o indispensável à essa criança que aparece na selfie tomando um sorvete no shopping com o “paizão” de facebook. Quem olha uma foto linda publicada nas redes sociais não faz ideia do que existe nos bastidores do universo daquela criança: abandono, descaso, alienação parental, negligência  e a crueldade de privar um ser tão indefeso de receber o afeto e a referência de um pai que ela merece.

Fico me perguntando, às vezes, de onde surgiu essa história de sexo frágil atribuído às mulheres. É coerente chamar de frágil alguém que é capaz de anular as próprias vontades para se doar à outra vida? É  fragilidade a capacidade de criar um filho sozinha, tendo que lidar com uma miscelânea de sentimentos que incluem: angústia, incertezas, culpa, medo e abandono? E ainda ter que driblar os preconceitos que a sociedade oferta como um banquete?





Criar um filho sozinha, talvez seja a atribuição mais complexa para uma mulher. É quando ela percebe-se diante de uma responsabilidade tão gigantesca que sente-se sem chão. Enquanto isso, o seu meio social estará assistindo de camarote o desdobramento dessa responsabilidade, e já prepara o diagnóstico para o futuro daquela criança. Caso seja bem sucedida, caso tudo corra bem, foi sorte. E se algo der errado, será sempre culpa da mãe “solteira” que não deu bons exemplos, que não soube educar, que inventou de arrumar namorado quando devia somente cuidar do filho e por aí vai. Dificilmente haverá alguém interessado em abrandar a “condenação” social dessa mãe. Enquanto isso, ao pai que abandona, não faltarão justificativas e elementos atenuantes: “ele era muito jovem, não tinha maturidade para ser pai”…”ele gostava de outra mulher”…”um filho iria estragar o futuro dele”…enfim, desde que o  mundo é mundo é assim que funciona, não é mesmo?

Sem mais delongas, parabenizo aqui todas as mães que também são pais. Desejo que recebam, de forma multiplicada, todo o amor e dedicação  empenhados na criação dos seus filhos. Parabéns às Reginas, Leilas, Fabianas, Marias, Fátimas, Alessandras e etc. que são ou já foram pais e mães ao mesmo tempo.

 

About the Author Ivonete Rosa

Uma mulher apaixonada pelo universo literário. Escrevo por qualquer motivação: alegria, entusiasmo, tristeza, dor, tédio, amor etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

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