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A origem da ansiedade nas relações primárias com os pais segundo a Psicoterapia Dinâmica Breve

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As técnicas da psicoterapia dinâmica breve foram desenvolvidas por Davanloo e evoluíram  a partir de seu entendimento da teoria psicanalítica das neuroses. Davanloo fundamentou suas intervenções estratégicas da Psicoterapia Dinâmica Breve principalmente na segunda teoria de Freud sobre a ansiedade. Essa teoria sugere que a ansiedade é um sinal para o ego, alertando para o perigo ou trauma – ”perigo” aqui é qualquer sentimento, impulso ou ação passível de ameaçar o vínculo primário com os cuidadores. Em outras palavras, qualquer sentimento, impulso ou ação que resulta na separação do ser amado ou da perda de seu amor é vivenciada como ameaçadora, provoca ansiedade e é, consequentemente, evitada, gerando conflito intrapsíquico entre as forças expressivas e repressivas da psique.





Uma vez que os seres humanos dependam por longo tempo de cuidadores, sua sobrevivência subordina-se a um vínculo seguro com esses indivíduos. A criança tentará preservar o vínculo com as figuras paternais a todo custo. Para proteger os outros de sua fúria, a criança, frequentemente, direciona a agressão contra si mesma. Essa ideia não é nova. Freud escreveu: ”É assim que encontramos a chave do quadro clínico: percebemos que as auto-recriminações são recriminações feitas a um objeto amado, que foram deslocadas desse objeto para o ego do próprio paciente”.

Ana Freud, em seu escrito clássico O ego e os mecanismos de defesa (1966), sugeriu que os processos defensivos são motivados pela ”ansiedade superegóica” (medo da retaliação pelo superego). Ela percebia o superego como um ”’encrenqueiro’ que impede o ego de chegar a um entendimento amigável com seus sentimentos e impulsos”. Esses pacientes estão determinados, embora inconscientemente, a punir a si mesmos. Isso se deve à ansiedade e à culpa que sentem pela raiva e pelos impulsos destrutivos que nutrem com relação aos seres amados que os negligenciaram, machucaram, abusaram ou abandonaram.





O objetivo da psicoterapia é erradicar o sistema autopunitivo do inconsciente, buscando libertar os pacientes do sofrimento causado pelos sintomas e por sua psicopatologia, para que possam viver plenamente a vida e desenvolver seus próprios potenciais. Davanloo argumenta que a única forma de derrotar e eliminar a força autopunitiva é ”exercer uma amável, porém inflexível, pressão sobre o paciente, confrontando todas as defesas contra a vivência de sentimentos verdadeiros, à medida que elas surgem”.

Quando esse reservatório de sentimentos passados de raiva, culpa e pesar, é drenado, os relacionamentos podem vir a ser renovados. O paciente, não mais temendo seus intensos sentimentos ambivalentes ou a culpa causada por seus impulsos agressivos para com os seres amados, encontra-se livre para desenvolver relacionamentos gratificantes e de proximidade emocional em sua vida presente.

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