A dieta pode ser tão importante para a saúde mental quanto é para a saúde física

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Sabemos que a comida afeta o corpo – mas poderia também impactar sobre o funcionamento da mente?
Enquanto o papel da dieta e nutrição na nossa saúde física seja inegável, a influência de fatores da dieta sobre a saúde mental tem sido menos considerada. Isso pode estar começando a mudar.





Pela primeira vez a FDA anunciou na semana passada suas novas orientações, considerando o possível papel da dieta na saúde mental. O relatório da FDA observa, por exemplo, que a American Psychiatric Association classifica o ácido graxo omega-3 (que é mais comumente encontrado em peixes oleosos) como um tratamento complementar para a depressão. No entanto, o painel consultivo concluiu, por enquanto, que a pesquisa foi muito limitada para fazer sugestões de tratamentos.
Alguns psiquiatras também lançaram um grito de guerra para uma abordagem mais integrativa na saúde mental – que leve a dieta e outros fatores de estilo de vida em consideração no diagnóstico, tratamento e prevenção da doença mental. Em um artigo publicado recentemente na revista The Lancet Psychiatry, um grupo internacional de cientistas (todos membros da Sociedade Internacional Nutritional Psychiatry Research) argumentam que a dieta é “tão importante para a psiquiatria como é a cardiologia, a endocrinologia e a gastroenterologia”.





Com mais de 450 milhões de pessoas no mundo sofrendo de algum tipo de transtorno mental e uma abordagem farmacológica que alcançou um sucesso limitado no tratamento das doenças mentais, o campo da psiquiatria pode ter alcançado uma espécie de ponto de inflexão.
“Estamos enfrentando essa enorme epidemia de distúrbios de saúde mental”, afirma um dos autores do estudo, Dr. Drew Ramsey, um psiquiatra integrativo da Universidade de Columbia. “A depressão é a principal causa de incapacidade no mundo e em breve será a principal causa de incapacidade nos Estados Unidos. Então, é muito bom quando vemos dados que sugerem que podemos tratar a depressão com foco na nutrição e naquilo que comemos “.
Ramsey cita uma série de estudos que atestam o papel vital de certos nutrientes na saúde do cérebro, incluindo o ômega-3, vitamina D, vitaminas do complexo B, zinco, ferro e magnésio. A dieta moderna, muito rica em calorias, tende a sofrer carência destes nutrientes importantes, o que pode contribuir para o aumento dos problemas de saúde mental. Muitos estudos ligaram a depressão com baixos níveis de vitaminas B, por exemplo, enquanto que baixos níveis de vitamina D materno revelaram ter um papel no risco da criança desenvolver esquizofrenia.





A pesquisa tem sido crescente nos últimos anos e expandiu-se a partir de um foco em nutrientes individuais para padrões alimentares mais amplos. Em 2011, um grande estudo verificou que a dieta ocidental moderna (que é rica em alimentos processados de alto teor calórico e pobre em nutrientes) está relacionada ao aumento da depressão e ansiedade, em comparação com uma dieta tradicional norueguesa. Uma revisão de estudos em 2014, também ligou padrões alimentares pouco saudáveis com prejuízos na saúde mental em crianças e adolescentes.
“Por um longo tempo na psiquiatria, nós sabemos que algumas vitaminas podem ter um grande impacto na saúde mental – vitamina B12, ferro, magnésio – mas somente nos últimos 10 anos que os estudos começaram a focar mais nos padrões alimentares, e têm sido bastante reveladores”, disse Ramsey.
As crescentes evidências da conexão cérebro-intestino suportam a hipótese de que, quando se trata de saúde mental, as questões alimentares também são importantes. A ideia de que pode haver uma ligação significativa entre a saúde do intestino e a saúde do cérebro – e que as bactérias do intestino desequilibram uma série de condições neurológicas; incluindo a ansiedade, a depressão, o autismo, TDAH e esquizofrenia – ganhou força na comunidade científica. Um simpósio de neurociência em 2014 chamou a investigação de micróbios do intestino como uma “mudança de paradigma” na ciência do cérebro.
“A ideia de que a saúde do cérebro depende da saúde do intestino … esta certamente será a próxima onda”, observou Ramsey.
No entanto, até o momento, a linha tradicional do tratamento dos problemas de saúde mental têm sido intervenções farmacêuticas e comportamentais (psicoterapia). Dieta e exercício raramente são levados em consideração, exceto pelos praticantes “alternativos”. Trazer a dieta para a equação representaria uma grande mudança no campo da saúde mental, a abertura de novas modalidades de tratamento de baixo custo e intervenções de baixos efeitos colaterais.
“Os alimentos devem ser a primeira linha de defesa, porque é um tratamento fundamental”, disse Ramsey. “Nós realmente precisamos afastar a ideia de que dieta e exercício são apenas ´´complementares” ou “alternativos”.
Claro, é importante lembrar que as causas dos problemas de saúde mental são complexas e podem se estender por fatores psicológicos, biológicos, emocionais, ambientais e alimentares. Mas melhorar a sua dieta com nutrientes saudáveis para o cérebro só vai ajudar a saúde mental e neurológica.
Fonte: Huffingtonpost traduzido e adaptado por Psiconlinews

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