O que você precisa saber sobre depressão e felicidade

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Por Kathleen Smith

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Hoje em dia você não precisa ir mais longe do que o seu mural do Facebook ou de um site de notícias para ser bombardeado com artigos com dicas de “maneiras fáceis de ser feliz.”. O que não falta são conselhos sobre como melhorar o nosso humor ou combater os sintomas da depressão. Com atrativos como “simples” ou “rápido” vestindo estas notícias, os leitores têm todos os motivos para acreditar que com este conhecimento não haverá limites para a sua felicidade. Certo?


Se tudo sobre a saúde mental fosse tão fácil como afirmamos em títulos, psicoterapeutas, como eu, não seriam as criaturas neuróticas (ainda que obviamente cativantes) que somos. Por mais difícil que seja admitir, entender sobre felicidade tem tanto a ver com ser feliz como olhar para uma perna quebrada ajuda a curá-la.
Eu adoro quando um bom texto de psicologia gira a nossa maneira de pensar sobre a doença mental numa órbita diferente. The Depths de Jonathan Rottenberg mudou a forma como eu penso sobre os meus próprios sistemas de auto-aperfeiçoamento e como falo sobre a felicidade com meus próprios clientes. Enquanto gurus de auto-ajuda podem ter as melhores intenções, Rottenberg adverte que o nosso foco extremo no bom humor, como um objetivo de vida, na verdade é um desserviço para o nosso bem-estar. “Estabelecer uma meta para se tornar mais feliz é como colocar-se em uma esteira que vai cada vez mais rápido, mais difícil de executar”, escreve ele.
Graças à pesquisa de Rottenberg, e outros, estamos começando a descobrir que muitos dos nossos pressupostos anteriores sobre a depressão estavam errados. Aqui está o que estamos aprendendo.

Não devemos nos sobrecarregar com objetivos que não estão funcionando.





Muitas vezes retratam um deprimido como alguém que simplesmente não tem vontade de sair da cama de manhã ou enviar o e-mail do seu currículo pela milionésima vez. Mas os pesquisadores descobriram que não é a falta de persistência que mais impede o encontro de uma solução, mas sim o contrário. Estamos tão certos de que não seremos felizes se não conseguirmos o que queremos, que prolongamos a luta.
Na natureza, os animais que são capazes de parar uma tática quando ela não está funcionando são mais propensos a sobreviver. Pessoas com depressão têm mais dificuldades para se desengajarem de seus objetivos, mesmo quando eles já estiverem praticamente inviabilizados. É por isso que os perfeccionistas têm um maior risco para desenvolverem uma doença mental do que as pessoas que conseguem se desapegar e mudar de rumo quando precisam fazê-lo.

Mau humor não é uma falha de caráter.

A realidade é que não teríamos tal espectro dos estados de humor, se a extremidade inferior não servisse para algum tipo de finalidade. Nos agachamos quando as coisas ficam difíceis, por isso, é natural que nossos corpos tentem economizar energia quando estamos deprimidos. A nossa herança evolutiva nos construiu para pensar e reagir assim a uma diminuição do estado de espírito, mas o que nos ajudou a sobreviver na savana não necessariamente nos ajuda nos dias de hoje.


Ao tratar os sentimentos negativos como sintomas a serem curados ou fantasmas a serem exorcizados, podemos estar alimentando-os ainda mais. As pessoas correm menor risco de sofrer uma depressão quando são capazes de aceitar sentimentos negativos quando eles acontecem, em vez de se baterem por não serem capazes de mudar o seu estado de humor. Em outras palavras, elas não se sentem mal por sentirem-se mal. Auto-culpa sobre o humor é um fenômeno distintamente humano. Seu cão não se sente mal por estar mal-humorado, não é? Ele só sente.

Devemos levar o bem-estar a sério.

Gastamos muito tempo recolhendo ingredientes para a felicidade, mas não levamos a saúde mental com a seriedade como deveríamos. Ao se fixar num tratamento de depressão como o modelo médico, em vez de um modelo de bem-estar, perdemos uma peça importante do quebra-cabeça. Em suma, não temos a flexibilidade e criatividade necessária para viver uma vida melhor.
Então, em vez de tentar alcançar a felicidade plena sete dias por semana, a ciência sugere um objetivo melhor: a adaptabilidade. Isso significa estar disposto a mudar de rumo quando a estratégia não estiver funcionando. E, acima de tudo, praticar a auto-compaixão quando você não conseguir mais se levantar das profundezas e precisar pedir ajuda.
No grande esquema de todas as coisas, estamos destinados a ter altos e baixos. Um mundo de pessoas eternamente felizes é um mundo sem enredo, um mundo sem Shakespeare. Assim, já podemos parar de fingir que existem “5 maneiras fáceis” de parar o que define a nossa humanidade. Não há nada de simples sobre nós, e é isso que nos torna tão grandes.
Fonte: Huffingtonpost traduzido e adaptado por Psiconlinews

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