Os Benefícios das Anotações em Sala de Aula

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Por Carol E. Holstead
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O momento da verdade para mim veio na primavera de 2013. Olhei para minha turma de comunicação visual e vi um grupo de seis alunos paralisados ​​pelo brilho azul de uma tela de um laptop. Naquele momento decidi que não iria mais permitir laptops em minhas aulas. Embora eu fosse um palestrante envolvente, não poderia competir com o Facebook e o YouTube, e já estava cansada de tentar.


Disse aos estudantes que no próximo semestre eles teriam que fazer anotações no papel.
Eu sabia que a proibição de laptops em minha sala de aula iria reduzir as distrações. A pesquisa mostrou que quando os alunos usam seus laptops para “multitarefas” durante a aula, eles não conseguem absorver o máximo das aulas. Mas eu também tinha uma teoria, com base na minha experiência de faculdade – nos anos 70, antes do Power Point – que os alunos iriam processar as aulas de forma mais eficaz se eles tomassem notas no caderno. Quando os alunos tomam notas no laptop, mal olham para cima dos seus monitores, tentando transcrever cada palavra que o professor diz. Na minha época, se a aula de um professor era razoavelmente bem organizada, eu conseguia tomar notas em formato de esquema. Assim eu tinha que prestar atenção nos pontos-chave.
Ao estabelecer o meu decreto de anotações não-tecnológicas, expliquei que isso iria ajudar os alunos a participarem das palestras. Eu uso o PowerPoint no meu curso de comunicação visual, mas apenas para delinear os exemplos. Disse aos alunos que eles  teriam que ouvir o que eu dizia sobre cada slide e anotar os pontos importantes. Eu acreditava que eles se lembrariam mais de minhas palestras tomando notas no caderno.





Confirmei que a minha teoria estava certa e agora está suportada por pesquisas. Um estudo publicado no ano passado na revista Psychological Science mostrou que os alunos que escrevem notas à mão conseguem se lembrar melhor de informações conceituais  do que aqueles que tomam notas em um computador. “Considerando que, ter mais notas pode ser melhor, a tendência dos anotadores de laptop é transcrever a aula palavra por palavra, em vez de processar as informações e reformular com suas próprias palavras. Isso é prejudicial à aprendizagem”.
Os pesquisadores Pam Mueller e Daniel Oppenheimer investigaram quais alunos conseguiam recordar melhor a informação fatual e conceptual: aqueles que tomavam notas à mão ou aqueles que digitavam em um laptop. Mueller e Oppenheimer fizeram uma série de estudos com 327 alunos em três campus. Eles deram laptops para alguns alunos e caneta e papel para outros. Os alunos assistiram palestras e foram orientados a tomarem notas, da mesma maneira como fariam em sala de aula.
Primeiramente, os estudantes foram testados 30 minutos após a palestra. Uma semana mais tarde eles foram testados novamente e puderam estudar por 10 minutos antes da prova. Foram feitas perguntas sobre fatos: “Qual é o propósito de agregar propionato de cálcio ao pão?”, e conceitos: “Se a epiglote de uma pessoa não estiver funcionando corretamente, o que provavelmente aconteceria?”.





Os alunos testados logo após a palestra tenderam a responder às perguntas fatuais igualmente bem, independentemente de como tomaram notas, mas os alunos que tomaram notas à mão foram melhores nas questões conceituais. Além do mais, quando os estudantes foram testados uma semana depois, os anotadores à mão foram consistentemente melhores em ambas as questões: fatuais e conceituais.
Os pesquisadores descobriram que os estudantes que usavam laptops estavam inclinados a tentar tomar notas na íntegra, mesmo quando foram orientados a não fazer isso. Os anotadores à mão tomaram notas organizadas, seletivas, porque não podiam escrever rápido o suficiente. Como resultado, eles processaram as palestras mais profundamente, o que lhes permitiu guardar mais informações e até mesmo entendê-las melhor.
Depois do meu primeiro semestre sem laptops, eu dei aos meus alunos um questionário para saber como eles se sentiam em relação a tomar notas à mão. Minha pesquisa não foi, naturalmente, científica. Ainda assim, eu fiquei animada com os resultados: Cerca de 86 por cento dos 95 alunos disseram que conseguiram prestar atenção melhor na aula sem um laptop na frente deles.
Quando eu fiz a pergunta em aberto: “Você acha que tomou notas de forma diferente quando teve que escrever à mão? Se sim, como?”. Recebi uma variedade de respostas que vão desde “Sim! Eu não conseguia escrever tudo! Eu não conseguia escrever tão rápido quanto digitava!” até “Eu aprendo quando escrevo as coisas, por isso me ajudou muito”.
Estas respostas reforçaram o estudo das anotações. Os alunos que tentaram transcrever minhas palestras, mesmo sem um laptop, odiavam tomar notas à mão. Os estudantes que descobriram como selecionar notas, gostaram.
Curiosamente, os resultados das provas que apliquei no meu curso de comunicação visual têm subido desde que proibi o uso de laptops nas aulas, há um ano atrás. Agora eu ensino os alunos sobre como tomar notas à mão, para ajudar aqueles que não usaram muito esse músculo, porque estou convencida de que, apesar dos laptops terem uma variedade de utilidades em sala de aula, tomar notas não é uma delas.
Fonte: Chronicle traduzido e adaptado por Psiconlinews

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