Fibromialgia, Educação e Habilidades de Reação

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A educação do paciente é fator imprescindível para a adesão ao tratamento e sua participação no programa de gerenciamento. É essencial que este receba informação sobre sua condição, como por exemplo: as características-chave da fibromialgia; o prognóstico da condição; o papel do sono e manifestações clínicas associadas.





A utilização de uma simples cartilha (SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA, 2011) pode ser um bom ponto de partida para adquirir informação relevante.
É importante que o paciente compreenda que muitos fatores podem influenciar sua percepção da dor e isso não quer dizer que a condição está piorando.
Todo programa de gerenciamento da dor moderno está fundamentado nos princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
O objetivo de um programa de psicoeducação em TCC é ensinar o paciente a enfrentar e reduzir a dor e a aplicar as técnicas cognitivas para contestar as crenças que prejudicam sua aceitação da responsabilidade no emprego de técnicas de enfrentamento e autogerenciamento (ANGELOTTI, 2001).
É possível também, ao paciente, aprender com outras pessoas que enfrentaram eventos importantes com sucesso e a identificar, testar enfrentamentos malsucedidos e como administrá-los. Para isto, é necessário que algumas habilidades sejam desenvolvidas.
De acordo com Del Prette e Del Prette (2009), o termo habilidades sociais emprega-se às diversas classes de comportamentos sociais do repertório de uma pessoa e contribuem para a competência social beneficiando o relacionamento saudável e produtivo com as outras pessoas. A competência social, por sua vez, é a capacidade de articular os pensamentos, sentimentos e ações com a finalidade de conquistar objetivos pessoais e de demandas da situação, resultando em consequências positivas para o indivíduo e suas relações.
Os pacientes precisam identificar quais situações consideram ameaçadoras nas quais suas habilidades de enfrentamento da dor podem estar prejudicadas.
Para Del Prette e Del Prette (2009), a assertividade pode ser definida como o exercício dos próprios direitos e da expressão de qualquer sentimento, com manejo da ansiedade e sem ferir o direito do outro. Os comportamentos assertivos constituem uma classe de habilidades sociais em situações que envolvem risco de consequências aversivas e que costumam eliciar alta ansiedade, podendo ser caracterizadas como uma classe de comportamentos de enfrentamento.
Segundo Watson (2002), os pacientes acreditam que a dor incomoda menos quando estão ocupados, distraídos e de bom humor. É essencial identificar os estressores que possam afetar suas estratégias de enfrentamento. Aperfeiçoar as formas de lidar com eles é fundamental.
O estado de dor constante leva ao desenvolvimento de pensamentos negativos que causam o próprio fracasso. Os pacientes acreditam que não conseguem fazer tantas tarefas quanto uma pessoa normal, levando-os a um sentimento de invalidez e desesperança.
De acordo com Chaitow (2002), esses pensamentos empobrecem a confiança do indivíduo e resultam em depressão e consequentemente altera a percepção de dor.
Esses pacientes precisam ser estimulados a identificar esses pensamentos negativos, substituí-los por cognições mais adaptativas e a identificar quais pensamentos o levam a ações positivas auxiliando-o a administrar sua condição e quais o conduzem à depressão e à inatividade.
Segundo Chaitow (2002), a assertividade é uma habilidade importantíssima no aperfeiçoamento de uma boa relação com os familiares e profissionais da saúde.
As tarefas de casa são escolhidas para os pacientes reforçarem a aprendizagem, como por exemplo, históricos clínicos. Os pacientes leem, identificam fatores que precisam mudar, estratégias a superar e preparam as respostas para a próxima consulta. A lição de casa inclui fazer com que o paciente identifique problemas em casa, como dificuldades funcionais ou de relacionamentos.
Para Del Prette e Del Prette (2009), o pensar assertivo depende de uma compreensão sobre os direitos e deveres que condizem a cada um dos que estão fazendo parte de uma interação social.
Para pensar assertivamente é importante desenvolver a interdependência, entender o que são direitos e deveres, o que é relevante ou não nos relacionamentos e avaliar as consequências de se comportar assertivamente, fazendo então a sua opção de resposta.
Assim sendo, a Lista dos Direitos Humanos Básicos de Caballo (1996) pode auxiliar no treinamento da assertividade:

1. O direito de manter sua dignidade e respeito – inclusive se outra pessoa sente-se ferida – enquanto não viole os direitos dos outros.
2. O direito de ser tratado com respeito e dignidade.





3. O direito de negar pedidos sem ter que sentir-se culpado ou egoísta.
4. O direito de experimentar e expressar seus próprios sentimentos.
5. O direito de parar e pensar antes de agir.
6. O direito de mudar de opinião.
7. O direito de pedir o que quiser (entendendo que a outra pessoa tem o direito de dizer não).
8. O direito de fazer menos do que é humanamente capaz de fazer.
9. O direito de ser independente.
10. O direito de decidir o que fazer com o próprio corpo, tempo e propriedade.
11. O direito de pedir informação.
12. O direito de cometer erros – e ser responsável por eles.
13. O direito de sentir-se bem consigo mesmo.
14. O direito de ter suas próprias necessidades e que essas sejam tão importantes quanto às dos demais.
15. O direito de pedir (não exigir) aos demais que correspondam às nossas necessidades.
16. O direito de decidir se satisfaremos as necessidades das pessoas.
17. O direito de comportar-se seguindo seus interesses – sempre que não viole os direitos dos demais.
18. O direito de ter opiniões e expressá-las.
19. O direito de decidir se satisfaz as expectativas dos outros.
20. O direito de falar sobre o problema com a pessoa envolvida e esclarecê-lo, em casos em que os direitos não estão totalmente claros.
21. O direito de obter aquilo pelo que se paga.
22. O direito de escolher não se comportar da maneira mais adequada.
23. O direito de ter direitos e defendê-los.
24. O direito de ser ouvido e levado a sério.
25. O direito de estar só quando quiser.
26. O direito de fazer qualquer coisa enquanto não viole os direitos de outras pessoas.

As habilidades sociais podem ser aprendidas através de programas de treinamento, tanto terapêuticos quanto preventivos.
De acordo com Chaitow (2002), as tarefas de casa colocam o desenvolvimento do gerenciamento da dor em uma condição pessoal para o paciente.
Desta forma, ao identificarem-se as deficiências no repertório do paciente com dor crônica, é possível criar formas de desenvolver essas habilidades que tem como objetivo melhorar a qualidade de vida.

About the Author Maria Lúcia Tavares

Sou psicóloga e palestrante. Criei uma comunidade no Facebook "Sabia só que doía" para divulgar a fibromialgia e levar informação e esperança a quem se encontra nessa condição. / Instagram: malutavarespsicologa

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