Impulsividade: Vítimas do coração

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“Quando vi, já tinha feito”.

“Não pensei em nada… eu senti aquela coisa ruim aí já foi”.

“Você não sabe o que é ter medo de sentir alguma coisa”.


Estas são frases típicas que ouço no consultório à respeito de como as pessoas encaram suas emoções, lidam com elas, e com isso vão definindo o futuro em suas vidas. Nossa cultura compreende que as emoções são “incontroláveis”, verdadeiros obstáculos à razão e a uma vida plena (sendo que “plena” é, em si uma emoção). Esta maneira de compreender as emoções termina por validar que as pessoas tenham comportamentos completamente desajustados “por causa” de uma emoção que surgiu.

No entanto, a compreensão de que as emoções são incontroláveis é equívoca e, mesmo que não fosse, ela, por si só, não bastaria para explicar o porque pessoas tem um descontrole na maneira de expressar suas emoções. Isso porque sentir e agir são duas instâncias diferentes. Embora uma possa explicar a outra, uma não justifica a outra. Ou seja, não é porque sinto raiva que tenho o “direito” de xingar alguém ou agredir. Isso é um aprendizado.

“Eu estava com raiva, o que você esperava que eu fizesse?”





Esta é outra frase que ouço com frequência. Em geral respondo: não sei, o que você gostaria de ter feito. Esta pergunta nos leva à refletir sobre o que fazer com aquilo que sentimos. As pesquisas em neurociências como as de Richard Davidson nos mostram que não apenas é possível ter comportamentos diferentes frente às emoções como também é possível alterar em parte a dinâmica neuronal quando sentimos. Em outras palavras não apenas não somos vítimas de nossas emoções como podemos controlar a maneira como sentimos.

O caso da raiva, por exemplo, em geral vem com a percepção de algo que me causa dano e que não sei como me defender. A raiva, portanto, pode exibir desde um comportamento de agressão como um comportamento de fuga – daquilo que acho que pode me machucar. No entanto, quando, em terapia, começamos a compreender como reagir adequadamente às situações que nos causam a raiva, a emoção diminui ou, mais comum, se transforma. Várias vezes ouço o relato: “nossa e pensar que eu, um dia, já me incomodei com isso”.

“Agora percebo o que me incomoda”.


Perceber, na emoção o que a motiva é o primeiro passo para compreender como mudar a sua reação à emoção. Ao compreender o que nos motivou a emoção podemos, inicialmente nos perguntar se realmente precisamos nos sentir assim (quantas vezes você já percebeu que sua raiva ou tristeza eram descabidas?). Além disso podemos arrumar maneiras diferentes de lidar com nossas emoções. Planejar mentalmente o que podemos fazer no caso de sentir uma determinada emoção que nos incomoda, nos oferecendo diferentes alternativas de comportamento é uma maneira de aumentar a possibilidade de ter atitudes diferentes em situações emocionais.

Talvez o fundamental seja compreender que suas emoções estão em contato com a sua razão. Neurologicamente sabemos que o córtex pré-frontal – sede do pensamento abstrato – está ligado com vários processos emocionais além de estruturas que definem nossas emoções. Isso nos faz pensar que sentir é algo que está ligado ao pensar e vice versa. A consequência desse pensamento é que nossas emoções são importantes avisos que mexem com nossa maneira de agir. Compreender a importância de um estado emocional é compreender que quando sentimos estamos precisando responder à algo de alguma forma, quanto mais temos isso como verdade, mais envolvidos ficamos com nossas emoções ao invés de mais distantes e isso faz toda a diferença.

Pense que muitas vezes você pode ser vítima simplesmente porque não se relaciona bem com seu emocional e não porque ele, de fato, domine você.

Abraço

About the Author Akim Rohula Neto

Akim Rohula Neto é natural de Curitiba onde nasceu e se criou. Descendente de russos e italianos desde cedo percebeu que as diferenças emocionais e na percepção de mundo podem trazer problemas e ser fonte de grande competências e conquistas. Realiza sua graduação em Psicologia na PUC-PR (1999-2003), no mesmo ano termina uma especialização em Psicologia Corporal no Instituto Reichiano (2000-2003) e em PNL (Programação Neurolingüística) com Leonardo Bueno (1999-2003). Mais tarde, sentindo a necessidade de uma compreensão maior sobre os fenômenos familiares busca no INTERCEF (2008-2010) a formação em Psicologia Sistêmica. Desde a graduação em 2004 trabalha com atendimento em psicoterapia para adolescentes e adultos e a partir de 2008 trabalha com casais e famílias. Além disso ministra palestras e workshops que visam o desenvolvimento de competências para desenvolvimento do auto domínio e da inteligência emocional.

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