Assédio: Quando o elogio passa a ser ofensivo

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É difícil encontrar uma mulher que não tenha passado pelo constrangimento de se sentir invadida de maneira verbal ou mesmo de forma concreta por um desconhecido. É tão comum as mulheres serem assediadas que chega a parecer inevitável e esperado, porém, certas cantadas não fazem com que uma mulher se sinta mais bonita, e sim desvalorizada e agredida.





Parece inofensivo a quem vê num primeiro momento, mas a intenção não é iniciar um relacionamento e sim de tratar um indivíduo como se fosse um objeto. Podem ser olhares, assobios, palavras de baixo calão, comentários sobre o corpo, pedidos invasivos, gestos e mesmo tocar ou apalpar o corpo da mulher sem o seu consentimento, que fazem com que ao invés de se sentir lisonjeada – como pensam alguns – a mulher se sinta violentada e agredida, pois violam a intimidade a que todos tem direito.





É corriqueiro ainda que quando a mulher não corresponde ao assédio acabe por ouvir ainda mais agressões, e é por isso que muitas vezes não são capazes de responder ás injúrias sofridas. O sentimento descrito pelas vítimas é de vulnerabilidade, vergonha, constrangimento e ainda medo por sua integridade física. Muitas passam a refletir se tiveram responsabilidade pelo comportamento do outro. É comum procurar em si mesma algo que justifique: será que a roupa é curta ou justa demais? É por que estou usando um decote? Estava andando de forma provocativa? É por que estou andando sozinha e á noite? Esses meros pensamentos já são uma forma de violência contra a mulher. É a famosa cultura do estupro, que enfatiza a culpa da vítima pelo abuso inadmissível ao qual passam e que é absorvido pelas próprias mulheres, que passam a evitar determinados contextos e atitudes como se os espaços públicos fossem dos agressores e tivessem que respeitá-lo para não sofrer as consequências.
Um elogio pode fazer muita diferença para a auto-estima de uma pessoa, porém deve-se ficar claro que há uma linha entre o elogio e a violação da intimidade. Nossa cultura favorece o sexo fácil e atitudes vulgares e é esse o tipo de comportamento e de ideias que no no cotidiano propagam a desigualdade entre os sexos. Faltam campanhas para alertar que cantadas e atos obscenos contra a mulher são crimes, e que as vítimas devem denunciar. É preciso compreender que esse é um comportamento ensinado e por isso a educação deve vir de casa e dos modelos que uma criança tem em sua vivência.

About the Author Lilian S. N. Vidal

Especialista em Psicologia Clínica e Terapia Cognitivo Comportamental. Se interessa profundamente pelo ser humano e adora a vida como ela é, apesar dos altos e baixos. Curiosa gosta de aprender coisas novas e de admirar o que já sabe. Não se importa de ser uma metamorfose ambulante se for para sair do casulo e voar.

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