Automutilação: O alívio provisório

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Eis me aqui novamente para expor um desabafo. Gostaria que as pessoas que leem minhas matérias soubessem que nada que escrevo é verdade absoluta. Tudo aquilo que sinto e vivencio são transformados em palavras que podem ou não ajudar outra pessoa que também está passando pela mesma situação.


Acredito que por mais louco e complexo que sejam meus pensamentos sobre a vida e sobre o mundo, tenho sim a capacidade de dar apoio e suporte àqueles que compreendem minha dor, minha luta e minhas glórias. É por isso que escrevo, que desabafo e que tento de alguma forma mostrar que você não está sozinho.
Confesso que há um tempo atrás eu tinha certo preconceito com as pessoas que se cortavam. A mesma coisa acontece com aqueles que não tem depressão e acham que isso é frescura. Eu simplesmente não conseguia entender por que um indivíduo provocava machucados em si mesmo. Por que ele escolhia sentir dor. E tudo isso mudou a partir do momento em que eu passei a ter esses mesmos desejos.
Comecei a pesquisar sobre o assunto e passei a entender que esse tipo de atitude é frequente em pessoas com depressão, ou simplesmente está diretamente ligada à ansiedade. Em algumas situações a pessoa apresenta algo muito mais grave do que esses dois aspectos citados e isso pode ser muito perigoso. Se cortar é como uma válvula de escape do stress e as pessoas que fazem isso dizem que alivia. A vida de uma pessoa que se automutila corre perigo se ela continuar fazendo isso.


Então parei para pensar: Será que tenho vontade de me ferir por causa da minha depressão severa e da minha ansiedade? Talvez sim, talvez não. Desde muito jovenzinha eu tenho depressão, e mesmo depois que passei a conviver com pensamentos suicidas, não se passava pela minha cabeça a vontade de me cortar ou me machucar de alguma forma. Talvez a culpa ajude nesse processo. Depois que tentei suicídio, a minha vida passa como um filme na minha cabeça o tempo todo. E sempre que algo me magoa ou faz me sentir culpada, aparece em meus pensamentos, eu tenho vontade de descontar a raiva e a dor em mim mesma. Como se fosse uma espécie de punição. Punição de algo que eu mesma nem sei o que é. No fim das contas, nós chegamos à conclusão de que todo o erro não advém apenas de nós mesmos. O outro também contribui e não há razão alguma para carregar o fardo sozinha.
Eu tenho vontade sim de pegar uma faca e cortar meus pulsos. De cortar meus braços e meu corpo. Tenho vontade de me machucar. Isso eu não posso negar. Eu nunca cheguei a fazer de fato. Por enquanto só está nos meus pensamentos, e é uma vontade que surge muito raramente. Mas ela existe aqui dentro de mim, pronta para dar o bote a qualquer momento. É um pouco vergonhoso ter que admitir isso, eu confesso, mas é um problema que dá para ser superado.
Quem não conhece a história da lindíssima Demi Lovato? A sua superação e força de vontade me inspiram completamente. Eu vejo ela e sinto que não há motivo algum para ter medo ou vergonha. Que temos que enfrentar nossos piores inimigos para derrota-los. Eu sei que vou me curar desses pensamentos. Eu ainda sou tão aprendiz nesse assunto. Tenho que admitir que meu maior medo neste instante é de um dia desenvolver coragem o suficiente para colocar todos os meus planos negativos em prática. Desde uma nova tentativa de suicídio ou simplesmente começar a me cortar de fato. Por mais que saibamos que é possível superar tais obstáculos, nós indivíduos com depressão convivemos com a certeza de que a qualquer momento uma crise pode voltar e a vontade de morrer pode voltar a preencher o nosso peito. É preciso muita força de vontade e fé para conseguir caminhar pela estrada da vida ao lado desse monstro que nos atormenta os pensamentos.


Dentro desse pequeno intervalo de tempo, entre o dia de hoje e o dia em que quase perdi minha vida, a minha vontade de me ferir foi tão grande que eu não cheguei a me cortar, mas desenvolvi um problema chamado Tricotilomania. Tricotilomania é o ato de arrancar os próprios cabelos. Eu passei a sentir alívio fazendo isso e quando fui me dar conta eu já não conseguia mais controlar meus impulsos. Eu estava o tempo todo arrancando meus cabelos, em situações que muitas vezes eu nem percebia. Quando fui me encarar no espelho já não conseguia ver aquela parte calva enorme que eu mesma tinha provocado em mim, porque isso me trouxe ainda mais sentimento de culpa, vergonha, remorso e tristeza. No próximo post irei detalhar mais sobre essa doença, para que você possa entender melhor o que se passa na cabeça do tricotilomaníaco.
Particularmente eu gostaria de saber se você passa por um desses problemas. Caso você esteja no time dos que se automutilam, gostaria de saber se você faz um tratamento para superar isso e como tem sido os resultados. Me conte aqui nos comentários, o que você sente a respeito disso. Eu sinto enorme interesse em conhecer mais sobre o assunto, principalmente se for pela perspectiva de quem passa pelo problema. Serei eternamente grata pela sua participação. Fique com Deus. E até o próximo post.

About the Author Carolina Santos

Sou formada em Administração pela UFPE e apaixonada por Psicologia. Lido com a Depressão desde sete anos de idade. Sou apaixonada por leitura e escrita. E meu maior sonho é poder ajudar as pessoas através das minhas experiências de vida. Participem do meu grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/1969510996617235/ Lá eu interajo mais com vocês sobre a Depressão Abraço :*

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