Dar amor para receber sexo

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Na contramão dos tempos atuais, ou talvez apenas num ritmo controverso, escrevo pelo simples e ao mesmo tempo peculiar assunto, querendo fazer uma reflexão ao “dar amor para ter sexo”.





Existe uma clara distinção entre sexo e amor, mas ainda podemos ver e ouvir a insistência no uso do termo “making love” (em português “fazer amor”), como sinônimo para sexo. O que, na minha humilde opinião, é uma terminologia que diminui o significado de ambos, ou seja, do sexo e do amor. Claro que sexo com amor ainda pode ser o “Santo Graal”, mas vou chegar nesse ponto mais adiante.

“Dar amor para ter sexo”, vamos sair do lugar comum e aceitar o simples fato de que sim, existem pessoas que fazem isso. E o fazem simplesmente por não saberem como ser diferente, porque há desejo sexual sem uma dissociação de certos sentimentos. Pretendo aqui, ao me referir a “dar mais para receber menos”, indicar um comportamento análogo a, digamos, ter um desejo enorme por chocolate, e para realizá-lo entrega-se a própria casa.





Erich Fromm, diz que o amor é uma arte e que é preciso compreendê-lo para praticá-lo em sua plenitude. Ironicamente ele esta inserido na cultura do “Making Love”, embora se analisarmos sua obra, esse termo faça todo sentido para ele, sobretudo NÃO como sinônimo de sexo, mas de uma atitude. Seu livro, de 1956 é uma abordagem do amor como atitude. Segundo ele, o amor é uma atitude, uma orientação de caráter, uma forma como a pessoa se relaciona com o mundo, e não algo direcionado à uma pessoa específica, um “objeto” de amor. “Se uma pessoa ama apenas a uma outra pessoa e é indiferente ao resto dos seus semelhantes, seu amor não é amor, mas um afeto simbiótico, ou um egoísmo ampliado.” (Erich Fromm, 1956)

Existe o amor, onde não queremos apenas o “toque” naquela (ou daquela) pessoa que nos atrai, queremos ser amados e desejados por ela. Mas existe também o desejo, o tesão, a química, e há quem pague com amor por esse desejo.

Para algumas pessoas o sexo será algo sagrado, uma troca tântrica e para outras será profano. E há também os que, como eu, acredita que sexo possa ser as duas coisas ou pior, que seja sempre as duas coisas. Mas existe só sexo, existe só amor e certamente existe sexo com amor. Lembrando que para quem tem essa visão dicotômica do desejo em duas partes: amor x sexo, o profano e o sagrado raramente poderão se misturar, logo o prazer poderá não ser completo.





Tudo bem, cada um tem uma concepção particular do que o sexo significa, mas talvez possamos pensar que existam duas visões amplas que se misturam dentro de nós. “Alguns sentem que o sexo aproxima as pessoas; outros acham que afasta. Quem acha que o sexo afasta, vê nele apenas uma forma de prazer esgotável. Gozou, tchau. Quem acha que aproxima, percebe o sexo como algo ligado aos sentimentos, parte de uma coisa mais duradoura. Não acha que o gozo encerra tudo.” Ivan Martins – Revista Época

Neste ponto, volto à questão principal. Obviamente hoje em dia onde as relações são cada vez mais insipientes e o sexo exercido “à vontade” (o que é justo), digo, as pessoas tem mais liberdade para exercerem sua sexualidade, mas há quem tenha ficado perdido no meio do caminho. Há quem esteja pagando com a própria casa, uma barra de chocolate.

Observo meninas e meninos fazendo essa relação. Começam pelo desejo, e na impossibilidade de tê-lo, até por inexperiência, amam. Antes de qualquer coisa e de amarem a si mesmos. Também não vejo problema algum nisso, digo no aprendizado, exceto que esse comportamento adolescente ou do início da via sexual se perpetua pela vida adulta. E todos os relacionamentos deste indivíduo iniciam-se misturando amor e sexo, ou pior, dando amor pra receber sexo.

O amor e o sexo são necessários, fazem parte da natureza humana. E falando de amor, cabe o clichê do aprender a amar a si mesmo antes de amar alguém ou mesmo conseguir ser amado – jamais se ligue à outra pessoa só porque não consegue ficar sozinho, será uma relação onde a outra pessoa serve de muleta, mas não é uma relação de amor. A capacidade de ficar sozinho é condicionante da capacidade de amar.

E sobre o “Santo Graal” – sexo com sentimentos, com amor. Esse vale a pena ser encontrado, buscado. Dar amor por amor, saber valorizar-se e saber também curtir o sexo. Ser adulto, aprender a se amar para poder ser amado, entrar nas relações que valem a pena, entrar de coração e com amor, almejando o amor em contrapartida. E somente assim o sexo que virá junto, se permitirá ser ao mesmo tempo o profano e sagrado.

About the Author Aless Oliveira

Alessander Pires Oliveira - Formação e vocação em Ciências da Computação, também apaixonado por psicanálise, tocar guitarra e design. Providenciando o Bacharelado em Psicologia ;-) "Não compartilho meus pensamentos por que penso que vou mudar a cabeça das pessoas que pensam diferente. Eu os compartilho para mostrar as pessoas que pensam igual a mim, que não estão sozinhas."

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