Tricotilomania: Entendendo mais sobre o assunto

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Como prometi, hoje falarei um pouco sobre a minha experiência com Tricotilomania e como estou fazendo para lidar com o distúrbio. Mas primeiramente, é importante que compreendamos melhor do que se trata.





A Tricotilomania é um distúrbio crônico que promove na vítima um desejo incontrolável de arrancar seus cabelos, levando a uma notável calvície e provocando trauma, vergonha e acanhamento. Os lugares mais frequentes são: couro cabeludo, sobrancelhas e cílios. Outros lugares como barba e pêlos pubianos também podem fazer parte dos locais escolhidos. Crianças também podem exibir esse comportamento arrancando os pêlos dos seus animais de estimação (TRIPOD, 2015).
A característica básica do distúrbio é o impulso, no mínimo durante alguns períodos, de puxar cabelos ou pelos. A maior parte das pessoas afetadas por essa compulsão seleciona os fios de forma objetiva, ou puxam os fios de forma inconsciente e só percebem o gesto depois. Além disso, vários dos tricotilomaníacos nem sentem dor ao arrancá-los. Típico da tricotilomania é também o ato de “brincar” com os cabelos arrancados: os pacientes os passam sobre os lábios, colocam na boca ou os enlaçam entre os dedos. Frequentemente, várias dessas características se manifestam na mesma pessoa: ela arranca os cabelos automaticamente diante da televisão ou ao ler, enquanto de manhã e de noite puxa especificamente alguns deles diante do espelho do banheiro (RUFER, 2011).





Dentre as possíveis causas que podem desenvolver o surgimento do distúrbio, podemos citar o início do ciclo menstrual na adolescência, dificuldades de relacionamento social no trabalho ou na escola, além de situações familiares como divórcio, morte ou doença de um ente, nascimento de um irmão, mudanças na dinâmica familiar, entre outros. Além de causar um sofrimento significativo, a Tricotilomania pode gerar na vítima outras consequências, como o hábito de comer os fios arrancados, conhecido como “síndrome de Rapunzel”, uma doença gastrointestinal, além de erosão dental e infecções de pele (ENCONTRO, 2015).
Agora que entendemos um pouco sobre o que é a Tricotilomania, eu, como uma tricotilomaníaca irei expor minha relação com o distúrbio, que teve início mais precisamente ano passado (2014), durante a minha última crise de Depressão antes da minha tentativa de suicídio.
Para ser sincera, não me lembro quando e porque foi que comecei a arrancar meus cabelos. A vontade surgiu e eu nem mesma sei exatamente porquê. Sempre fui muito vaidosa, e meus cabelos sempre foram a minha parte preferida do meu corpo. Sempre cuidei muito bem deles. Então começar a arrancá-los foi uma atitude completamente imprevisível, pois era algo que nunca se passou pela minha cabeça.





Só depois de quase um ano convivendo com isso, é que fui buscar ajuda. Passei a ficar extremamente preocupada e desesperada a partir do instante em que tive coragem de me olhar no espelho e encarar a cálvice horrível que eu estava provocando em mim mesma. Comecei a entender e aceitar que aquela atitude não era normal, e muito menos saudável. Só estava me causando vergonha, receio, culpa e tristeza. Além da falta de alta-estima, visto que não tem como você olhar para aquela parte calva e achar bonito. Comecei a de fato a sofrer por conta dessas atitudes.
Foi quando passei a pesquisar sobre isso na internet e descobri que é sim um problema e que tem tratamento. Sabendo disso, passei a ter mais alívio com relação a meus impulsos e fui em busca de apoio psicológico. Confesso que hoje ainda tenho vontade de arrancá-los, porém a frequência mudou bastante.
Após minha tentativa de suicídio, passei a ter muita vontade de me automutilar, e arrancar meus cabelos foi a maneira indolor que eu encontrei para isso. Logo depois de receber alta hospitalar e me deslocar para casa, o impulso aumentou significativamente, e quando eu percebi não fazia mais nada que não fosse acompanhado com uma, duas três ou mais arrancadas de cabelo.
Para ser mais precisa, eu só arranco meus cabelos. Pois como vimos mais acima existem casos em que as pessoas arrancam cílios e pêlos em geral. E não. Eu não cheguei a comer os cabelos. Só tenho a mania de ficar olhando eles, mexendo e analisando, antes de jogá-los fora para arrancar novos cabelos. Felizmente eu não cheguei a ingeri-los, pois isso provoca graves problemas no estomago do indivíduo.
Enfim, a Tricotilomania é quase incontrolável. Você sabe que não deve fazer aquilo, mas uma força maior vem e faz você fazer. E aí vem o alívio, e logo em seguida vem a culpa e a frustração.
Embora eu esteja melhor com relação ao distúrbio, reconheço que ainda preciso de ajuda para me controlar mais e andei pesquisando sobre as melhores formas de tratamento. Uma delas é a Tratamento Cognitiva Comportamental (TCC).
“A TCC é um tipo de tratamento que tem como objetivo comportamentos específicos, sentimentos e padrões cognitivos com a intenção de modificá-los. Geralmente é administrada por um período determinado de tempo durante o qual se ensina várias técnicas para que consigam controlar seu problema. ”
Acredito que devem ter outras maneiras de se controlar mais a Tricotilomania. Particularmente, eu consegui deixar de arrancar meus fios de cabelo, depois que pintei o cabelo. Pois minha alto-estima cresceu e eu passei a ter mais vontade de cuidar de mim mesma. Mas isso não é regra. E por isso eu gostaria de saber de você, o que tem feito para superar esse problema. Creio que não estou sozinha nessa caminhada e que existem muitos por aí que estão sofrendo com isso, e ainda não tiveram coragem de enxergar e assumir o problema, para buscar apoio e ajuda. Eu desejo superar isso de vez e sei que você que já está superando pode me ajudar contando sua experiência. E você que está passando por isso, não esqueça: Estamos juntos nessa. E vamos sim superar esse obstáculo. Aguardo os comentários de vocês. Fiquem com Deus.

About the Author Carolina Santos

Sou formada em Administração pela UFPE e apaixonada por Psicologia. Lido com a Depressão desde sete anos de idade. Sou apaixonada por leitura e escrita. E meu maior sonho é poder ajudar as pessoas através das minhas experiências de vida. Participem do meu grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/1969510996617235/ Lá eu interajo mais com vocês sobre a Depressão Abraço :*

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