Magnetismo animal: A origem da hipnose

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A origem da hipnose remonta a um médico austríaco do século XVIII chamado Anton Mesmer (1734-1815). Ele estabeleceu uma teoria das doenças que envolvia forças magnéticas internas, as quais ele chamou de magnetismo animal (Mais tarde seria conhecida como mesmerismo ou hipnotismo).





Mesmer acreditava que a boa saúde física e psicológica vinham de forças magnéticas devidamente alinhadas; a saúde ruim, então, resultava destas forças estarem fora de sintonia. A partir dessa linha de pensamento, Mesmer elaborou um tratamento para corrigir essas forças desalinhadas.





O tratamento envolvia a ingestão de medicamentos com altas doses de ferro e, em seguida, mover ímãs sobre os corpos dos pacientes (Goodwin, 1999). Durante esses tratamentos, os pacientes de Mesmer entrariam em um estado de transe e sairiam se sentindo melhores. Ele viu isso como uma comprovação do sucesso da sua terapia (O que Mesmer não tinha percebido é que ele estava mostrando o poder da sugestão, e não do magnetismo, como escreve Goodwin).

Mais tarde, ele abandonou os ímãs do seu tratamento. Por quê? Ele começou a ver que poderia promover as mesmas melhorias nos seus pacientes sem os ímãs, levando-o a acreditar que ele mesmo possuía poderes magnéticos. Assim, Mesmer passou a utilizar somente as suas mãos no tratamento, passando-as sobre as áreas danificadas do corpo de seus pacientes.

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Mesmer era muito popular com seus pacientes, mas a comunidade médica não estava muito impressionada. Na verdade, ele foi expulso do corpo docente da estimada Universidade de Viena, onde recebeu seu diploma de médico, e foi proibido de praticar medicina em Viena.

Mesmer então se mudou para pastos mais verdes: Paris. Lá, ele se tornou um sucesso, tanto que começou a fazer sessões em grupo para poder atender todo mundo. Durante estas sessões em grupo, realizadas em sua clínica fantasia em um rico bairro parisiense, os pacientes davam as mãos enquanto Mesmer passava por eles, geralmente vestindo um manto.





Tudo era muito cerimonioso e dramático. Tão logo Mesmer instigava seus pacientes a entrar em transe, muitos desmaiavam e gemiam, o que naturalmente influenciava outros no grupo. Mesmer convenceu muitas pessoas, algumas delas de renome, como Balzac, que escreveu em A comédia Humana, ao capítulo VI de Úrsula Miroet: ”O magnetismo é a ciência favorita de Jesus e um dos poderes divinos conferidos aos apóstolos”.

Novamente, Mesmer chamou a atenção da comunidade médica de Paris, que o via como sendo nada mais que um charlatão promovendo um tratamento fraudulento.

Então, o rei Luiz XVI da França nomeou, em 1784, uma comissão para investigar Mesmer e seu tratamento (Benjamin Franklin serviu como presidente e entre seus membros incluíam-se um famoso astrônomo, Jean Baily, um eminente botânico, A. L. de Jussieu, o químico Lavoisier e o Dr. Guilotin). Eles não só denunciaram a terapia de Mesmer como ineficaz, mas também condenaram todo conceito das forças magnéticas. Eles também disseram que as melhorias dos pacientes não vinham do magnetismo de Mesmer, mas a partir da sua própria vontade de serem curados: a melhora era imaginária.

Após os resultados, Mesmer deixou Paris, mas continuou praticando na Alemanha até a sua morte em 1815.

Mesmo condenado pelos meios universitários e os poderes oficiais, o mesmerismo não morreu com seu fundador. Continuou como bola de neve nos bastidores da medicina, mormente nos domínios da psiquiatria. Nas décadas de 1870 e 1880, uma propaganda colossal do mesmerismo (agora chamado de hipnotismo), buscaria reconhecimento por meio de experiências públicas, muitas delas encenações teatrais admitidas por Charcot.

Nessa época os psiquiatras ou ”médicos dos nervos” já tinham perdido as esperanças em que a dissecação de cérebros post mortem, anatomia patológica, já que depois de um século sem resultado positivo algum, viesse ainda esclarecer as determinantes orgânicas dos males de suas pacientes, então misturaram-se aos hipnotizadores. Apesar da hipnose, comprovadamente, não proporcionar nenhum resultado terapêutico, na época os shows de hipnose eram apresentados como experiências científicas, o que impressionava as pessoas e lhe dava uma certa validação social.

A credibilidade, sem méritos, dada ao magnetismo animal (sob o nome de hipnose) influenciou fortemente a cultura ocidental. Até hoje existem terapias, cursos e palestras sobre ‘magnetismo pessoal’ que prometem uma personalidade agradável, o cultivo de sucesso, como ter sucesso no amor, namoro e casamento, prevenção de doenças, como construir caráter, como se tornar uma grande potência no mundo… etc.

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