Por que as mulheres competem tanto entre si?

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Por EMILY V. GORDON

Eu tinha um grupo coeso de amigas durante a escola primária – chamávamos a nós mesmas de ”Sensational Six”. Com a força das meninas dominantes em nosso pequeno universo social, nos sentíamos importantes e exclusivas. O tempo passou e a puberdade chegou até nós, nossos pequenos corpos de crianças começaram a tomar formas de mulher, com todas as suas vantagens e desvantagens.


Eu tive um surto de crescimento precoce e era a mais alta da minha turma. Isso foi para mim uma desvantagem, e eu fazia o maior esforço para tentar me encolher e ser como as minhas amigas: pequenas e adoráveis. Um dia, no ônibus, enquanto eu conversava com uma colega, eu a observei comparando as nossas pernas: “Olha”, disse ela inocentemente, “suas pernas são duas vezes maiores que a minha”. E ela estava certa.

As mulheres competem, comparam e se rebaixam – pelo menos essa é a noção predominante de como nós interagimos. É considerado excepcional, ou pelo menos digno de nota, que algumas mulheres famosas como Amy Schumer, Beyoncé e Taylor Swift reconhecem que outras mulheres são talentosas e, freqüentemente, trabalham com essas outras mulheres sem, na maioria dos casos, serem escrotas. Isso as torna heróis feministas.


Sentir-se vigilante na presença de outras senhoras é algo habitual para muitas mulheres, e isso é cansativo. Eu já me exauro por anos tentando entender como algumas meninas, que poderiam ter sido minhas aliadas mais próximas, se tornaram minhas inimigas mais assustadoras. Eu escrevo uma coluna de conselhos e recebo um bom número de perguntas de mulheres perguntando sobre como lidar com a desconfiança de outras mulheres, então eu sei que não estou sozinha.

Uma boa quantidade de pesquisas tem sido feita sobre a competitividade do sexo feminino. revisão da literatura, de Tracy Vaillancourt, constatou que as mulheres, de modo geral, expressam uma agressão indireta para outras mulheres, e que esta agressão é uma combinação da “auto-promoção”, que as fazem parecer mais atraentes, e da “difamação das rivais”, que basicamente é ser escrota com as outras mulheres.

Existem duas principais teorias do porquê as mulheres são competitivas de maneiras agressivas indiretas. A psicologia evolutiva, que utiliza a seleção natural para explicar nossos comportamentos, diz que as mulheres precisam se proteger (leia-se: seus úteros) de danos físicos, por isso a agressão indireta nos mantém seguras enquanto diminuímos a autoestima das outras mulheres. A psicologia feminista afirma que usamos esta agressão indireta para internalizar o patriarcado. Como Noam Shpancer escreve em Psychology Today “quando as mulheres consideram os homens como um prêmio, como uma fonte de força, valor, realização e identidade, elas são compelidas a lutarem entre si pelo prêmio”. Em resumo: Quando o nosso valor está vinculado às pessoas que podem nos engravidar, nos voltamos umas contra as outras.


Vi isso acontecer entre o nosso ”Sensational Six” – vi os nossos hábitos mudarem. Antes usávamos pantufas do pateta, depois estávamos escolhendo roupas; antes brincávamos com os nossos defeitos, depois estávamos nos embelezando diante do espelho; e por fim, se esforçando para fazer os meninos rir. Nós ainda éramos amigas, mas de repente ficamos cientes de uma nova dimensão até então desconhecida. 

No colegial eu assumi meu papel na natureza e decidi que em vez de descontar a minha agressão indireta nas minhas rivais, ela tomaria a forma do que é chamado ”coloração de advertência”. Eu renunciei à batalha. Se eu fosse pouco atraente, então estaria anunciando – como aquelas borboletas com os pontos coloridos de alerta – que eu não era uma adversária à altura. Eu fiquei feia por um propósito inconsciente. Usava roupas rasgadas artisticamente, enormes botas de combate e calças de homens.

No colégio eu decidi que todas as minhas amigas eram estúpidas e as troquei por amigos. Eu adorava filmes de terror e heavy metal, e usei esses interesses para se tornar uma “garota dos garotos”. Eu pensava que ao me segregar estaria me livrando da consciência de que eu não estava sendo perfeita/legal/linda o suficiente. Quando outra ”garota dos garotos” se juntou ao nosso grupo, nos tornamos grandes amigas rapidamente só falando sobre como as garotas eram estúpidas, e quando nos encontrávamos com outros meninos no ônibus, era cada uma por si para flertar com eles. Eu me sentia mal quando ela fazia isso comigo e sentia uma emoção doentia de poder quando eu fazia isso com ela.

Em vez de odiar abertamente as mulheres, eu usei a irmã sorrateira do ódio e disse a mim mesma que eu tinha pena das mulheres que davam duro para serem convencionalmente atraentes, que tinham empregos conquistados com seus truques femininos, que eram muito “menininhas”. Pobre coitadas” eu falava nas festas “só querem chamar atenção. Vamos falar sobre essa banda de rock que eu ouvi na semana passada”. Auto-promoção: OK. Degradação das rivais: OK.


Nos meus 20 anos, havia duas meninas no meu grupo social em Nova Iorque – impetuosas, criaturas magníficas – do tipo que tomam o ambiente com a sua presença. Eu as odiava, assim como não conseguia tirar os olhos delas. Imaginava elas como mágicas, mas com uma magia negra que pudessem roubar o meu marido quando quisessem. Uma vez eu me encontrei no banheiro do bar sozinha com elas e, ao me sentir encurralada pela perfeição delas, resmunguei alguma coisa. Uma delas respondeu elogiando o meu casaco; a outra começou a falar sobre o cara que ela estava lá e como ele estava agindo de forma engraçada. Eu estava vendo elas do jeito que elas realmente eram: magnânimas, criaturas encantadoras, mas também gentis, obsessivas e estranhas. Minha visão negativa delas não tinha nada a ver com elas, absolutamente. Era apenas um espelho deformado.

As pesquisas nos dizem que as mulheres são compelidas a nivelar o campo de jogo por qualquer meio necessário para se certificarem de que têm o melhor material genético, mas uma vez que isso já não é mais um motivo de preocupação real em nossas vidas modernas, a nossa competitividade se tornou um pouco mais privada e compreensível .

Essa é a terceira teoria da competitividade do sexo feminino que eu gostaria de propor: Nós não estamos competindo com outras mulheres, em última instância, mas com nós mesmas – com a forma como pensamos sobre nós mesmas. Para muitas de nós, olhar para outras mulheres é ver uma versão de nós mesmas que é melhor, mais bonita, mais inteligente, etc. Não vemos a outra mulher.

É como um espelho de parque de diversões que reflete uma versão imprecisa de quem somos, mas nós a transformamos em outra coisa, porque é mais fácil. Não precisamos diminuir a autoestima das outras mulheres, quer para o bem da espécie ou para nossa própria psique. Só precisamos se concentrar em ser a força dominante do nosso próprio universo, em vez de invadir os universos alheios, assim todas vencem.

Por EMILY V. GORDON traduzido e adaptado por Psiconlinews

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