Síndrome do Supertreinamento: Psicologia e qualidade de vida do atleta.

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A Psicologia pode auxiliar para melhorar a qualidade de vida do atleta? Em foco, a discussão sobre a Síndrome do Supertreinamento e a importância de auxílio do profissional da Psicologia, nesse contexto. Isso se mostra necessário porque a sociedade moderna impõe um ritmo acelerado à vida das pessoas. Isto ocorre em vários aspectos.





A descartabilidade das coisas, o vertiginoso avanço tecnológico, que acaba por nos tornar obsoletos para a realização de muitas atividades e um anseio eterno e, muitas vezes, perigoso por perfeição podem desenvolver no ser humano, a sensação de inadequação, incapacidade e ineficiência. No caso da prática esportiva, esta realidade se confirma.
Nas palavras de Peres (2015, p. 01), “treinamento intenso e com bastante volume durante um período prolongado pode levar a um declínio do desempenho, tanto psicológico quanto fisiológico – condição denominada de síndrome do supertreinamento.”





Os danos ocasionados pelo excesso de treinamento podem levar ao desenvolvimento da crise, representando graves problemas não apenas no que se refere ao desempenho do atleta, mas à sua saúde mental.
Peres (2015, p. 01) ainda destaca que,

Apesar das causas da quebra no desempenho não serem totalmente compreendidas, o supertreinamento frequentemente parece estar associado aos períodos de excesso de treinamento. Quando a carga de treino é muito intensa ou o volume de treinamento ultrapassa a capacidade do corpo de recuperação e de adaptação, o organismo apresenta mais catabolismo (degradação) do que anabolismo (acúmulo).

Diante disso, vale dizer que, quando o indivíduo fica um período relativamente longo (dias) e mesmo assim a fadiga, o cansaço intenso, a fraqueza e a falta de vontade de treinar não somem, é necessário recorrer a ajuda profissional. Nesse caso, fala-se de psicólogos, tanto quanto (ou mais que) de profissionais da educação física.
WILMORE (2001, apud PERES, 2015, p. 01) cita algo muito importante sobre esse assunto: “os sintomas da síndrome do supertreinamento são altamente particularizados e subjetivos, de modo que não podem ser compreendidos de maneira universal.





A presença de vários sintomas é suficiente para alertar o técnico ou o treinador de que um atleta poderia estar apresentando sinais de treinamento excessivo.” Assim, pressão arterial elevada, diminuição do apetite e perda de peso corporal, resfriados e reações alérgicas, náuseas ocasionais, insônia, frequência cardíaca de repouso alterada, são exemplos de sintomas que podem caracterizar a Síndrome do Supertreinamento.

A percepção que o atleta tem de si mesmo é potencializada e, não raras vezes, para obter um desempenho de alta performance, se expõe a situações que colocam em risco sua saúde física e psicológica. A Síndrome do supertreinamento é apenas uma das consequências dessa busca ilimitada por superação de limites e resultados.
Nas palavras de Peres (2015), o desejo de vencer, o medo do fracasso, os objetivos elevados não realistas e outras expectativas podem ser fontes de um estresse emocional intolerável, ou seja, toda tensão psicológica que o atleta sofre ao longo da temporada competitiva pode levar à perda do desejo de competir e à perda do entusiasmo pelo treinamento.
Nesse contexto, considere-se fundamental a Psicologia do Esporte, como elemento que pode contribuir para assegurar a qualidade de vida do atleta. Ressalte-se também a importância do apoio profissional tanto para tratar ou para evitar o desenvolvimento deste problema que pode por em risco não apenas a vida do profissional do esporte, mas do ser humano, de maneira holística.
Isso porque via de regra, um indivíduo que tem sobrecarga de treinamento, que sofra muita pressão e cobrança por resultados que vão além dos limites humanamente possíveis, não se considerará apenas um profissional “inferior” , mas sim, um ser humano “inferior”. Supõe-se que a psicologia tem um papel fundamental tanto na prevenção de tal Síndrome, como no diagnóstico precoce, quando ela já existe e prejudica o padrão de desempenho do atleta.
Evidenciando um problema que vai além do simples cansaço e estresse, pode-se afirmar que a Síndrome do Supertreinamento implica em perigos para a saúde mental do sujeito. Justifica-se esta ideia, posto que, ao não ser tratado adequadamente, pode comprometer mais que conquistas na área profissional, pode comprometer a maneira como a pessoa se vê, como é vista e como se sente diante de si e da sociedade da qual faz parte. A função da Psicologia do esporte deve ser a de contribuir para que o ser humano consiga identificar seus limites e, mesmo na busca por superação, saber que mesmo os riscos devem ser calculados. Desta maneira, usando razão e consciência, é mais seguro romper barreiras e ultrapassar os limites, seus, ou dos oponentes.

About the Author Júlia Pereira Damasceno de Moraes

Mulher, filha, mãe, esposa, professora, educadora, eterna aprendiz. Graduada em Letras pela Universidade do Planalto Catarinense. Especialista em Leitura e Produção de Texto. Leitora inveterada. Aspirante a escrevente. Amante do saber e do conhecimento. Preocupada com o rumo que os adolescentes e jovens estão tomando e com a falta de referencial de vida para muitos dos alunos com os quais convive 12 horas por dia. Os pais se preocupam com o mundo que vão deixar para os filhos, mas não estão se preocupando com os filhos que vão deixar para o mundo. Isso é grave!

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