Luto infantil: Como agir com a criança enlutada?

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A perda é considerada uma das situações mais delicadas da vida, necessitando atenção para não gerar prejuízo ao psiquismo das pessoas. Um adulto, mesmo sendo saudável emocionalmente, não está livre da dor e desorganização que as perdas, ao longo da vida, podem causar; sendo necessário tempo para “recuperar-se”, com auxílio e apoio de familiares, amigos e em alguns casos, ajuda profissional (no caso do luto patológico/complicado). Desse modo, se para um adulto essa já é uma das situações mais difíceis da vida, imagina para uma criança!





As crianças são mais vulneráveis aos efeitos das perdas, pois estão se desenvolvendo cognitivo e emocionalmente. É necessário que suas perdas sejam acompanhadas pelos adultos, e que esses acolham a criança nesse momento tão delicado, evitando e prevenindo assim, prejuízos e sequelas no psiquismo da criança, para toda vida.

Estudos tem mostrado que transtornos psiquiátricos na vida adulta, como depressão e ansiedade, estariam associados entre outros aspectos, a perda por morte de um ente querido na infância, especialmente os pais. Por este motivo, é de vital importância que saibamos como agir com a criança enlutada.

Os adultos, por vezes, podem facilmente subestimar os efeitos das perdas na vida das crianças, talvez devido a vitalidade e energia existente nelas. Porém, a perda de um dos pais, por exemplo, provoca na criança sentimentos intensos, como: culpa, dor, medo, saudade, podendo ainda, acabar com o sentido da vida dela.





É importante que o adulto responsável pela criança, bem como, todos que estão a sua volta, saibam qual a melhor forma de agir com a criança enlutada, ajudando-a a passar por esse momento tão difícil, da melhor forma possível.

O modo pelo qual é feito o comunicado da morte para a criança, pode tanto ajudar, como prejudicar. O melhor modo de falar sobre a morte para a criança é respeitando e acompanhando o seu nível intelectual, e o que ela já conhece sobre o assunto; só a partir daí, falar a verdade de forma clara, e em uma linguagem que a criança entenda.

A morte não deve ser explicada para a criança através de metáforas, tas como: “virou estrelinha”, “está dormindo”, “foi viajar”, “foi para o céu”, “Deus levou”, pois como a criança não tem consolidado as capacidades de pensamento abstrato, ela vai interpretar tudo ao pé da letra. Ou seja, vai achar que virou estrelinha mesmo!

Não se deve esconder nem limitar informações sobre a morte para a criança. Ela deve ser familiarizada e preparada para este aspecto da vida, para que desse modo, ela possa adquirir as competências necessárias a superação dos sentimentos de perda e luto futuros. Deve ser permitido a criança sentir as tristezas e desesperanças reais, sem empurrá-las para um estado de falsa alegria e esquecimento.





Deve-se inserir as crianças nas conversas e discussões sobre o morto, para que ela não sinta-se sozinha em sua dor, oferecendo a ela, o conforto de um luto compartilhado; pois, a família deve ser sua fonte de confiança e apoio, auxiliando a criança a ultrapassar os sentimentos negativos que vierem em decorrência da perda, e ajudando-a a crescer e amadurecer.

Em caso de doença terminal a criança precisa ter contato físico e presente com o doente e, caso este esteja em casa, ela participe das tarefas de ajudar a tomar conta do familiar. Esta situação auxilia a criança a lidar melhor com a morte, prepara para atravessar o luto e reduz problemas psicológicos futuros.

É importante destacar também, que a forma como a criança reagirá a perda, bem como, as consequências negativas para o futuro dessa criança, serão fortemente influenciados pela forma como o adulto – principalmente quem cuida da criança – vai reagir a essa perda. É necessário que se mantenha a rotina da criança.

Muitos adultos evitam levar crianças em velórios/enterros, mas a vontade da criança de participar ou não, deve ser respeitada. Dúvidas? Deixe seu comentário…

About the Author Catiane de Oliveira

Psicóloga, Pós-Graduanda em Psicopedagogia Institucional, Formação em Brinquedista e Organização de Brinquedoteca, Formação em Tanatologia, Graduanda em Licenciatura - Letras Português/Inglês.

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