Valorizar a sua experiência: como fazê-lo?

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“Valorize-se”! Vemos, ouvimos e dizemos isso em várias áreas de nossas vidas atualmente. A demanda cultural é por pessoas que “se valorizam”, desejamos nos sentir valorizados – pelos outros e por nós mesmos – e há quem diga que muito se sofre por não saber se valorizar. Porém, o que é isso e como se faz?





Em minha prática tenho percebido que a maior parte de nós compreende que valorização tem a ver com preço e, portanto, a resultante disso é: me valorizo “muito” ou “pouco”, depende do caso. A “quantidade” é o atributo que está sendo verificado aqui e ele faz parte do processo. Dar muito ou pouco valor à algo.

A ideia de “preço” também estabelece outro paralelo que é: me valorizo “bem” ou “mal”? Aqui, uma percepção mais profunda se faz ao compreender que além de “muito ou pouco”, é importante saber se “frente ao mercado” estou com um valor bem ou mal aplicado. Digo que é mais profunda, porque em geral, quando a pessoa reflete nestes termos está buscando não apenas pelo seu “eu”, mas também está avaliando características do seu próprio eu e sabendo diferenciá-las. É um discurso que permite: “eu me dou valor e sei que minha poesia vale muito para muitas pessoas”. Existe uma diferenciação do “eu” e das “qualidades desse eu”.





Uma outra avaliação leva em conta que “valor” é também um qualificador e não apenas um precificador. Quando atribuímos um valor à algo ele pode ser do tipo precificação (alto, baixo) ou pode dar uma qualidade a este algo como “importante”, “urgente”, “doce” ou “forte”. Com isto em mente a pessoa pode, por exemplo, valorizar uma competência como “importante” e “boa” e “alta” (pensando em precificação). Nisso, poderia surgir algo como: “sou um escritor e eu crio links com muitos assuntos muito facilmente (boa), isso é fundamental em meu trabalho (importante), além de ser algo que poucas pessoas fazem (alta)”.

Outra descrição que é importante é a contextualização. Valores não existem no vácuo, eles sempre estão ligados à um determinado tipo de realidade e quando damos valor demais à algo que a realidade não dá, logo percebemos a discrepância. Então é importante compreender que o objeto que valorizamos vive dentro de um contexto e, ao avaliarmos, precisamos descobrir se o valor que atribuímos é apenas pessoal ou se é, também, social. Desta maneira é possível ter um valor pessoal, alto e importante que seja apenas pessoal – “sei que as pessoas não gostam disso, mas eu gosto”.





Por fim, há ainda uma outra classificação importante: acima disse que damos valor à “objetos”. Ocorre que o objeto ao qual valorizamos pode ser de duas naturezas quando se trata de nós mesmos: competência ou essência. Por competência estou falando do que fazemos, seja um comportamento ou uma atitude mental, assim como um pensamento ou a capacidade de emocionar-se e se concentrar. Por essência falo daquilo que chamamos de “eu”, que, em geral, é associado à nossa auto imagem, à experiência de “eu” que temos e à maneira pela qual a minha percepção de “eu” me faz sentir.

“Eu amo ser eu mesmo” é diferente de “amo minha rotina”. Rotina tem a ver com coisas que são feitas, “ser eu” tem a ver com a experiência de eu, com a vivência do que considero “eu” (a rotina pode não ter a ver e, mesmo assim, ser prazerosa como na frase: “não é o que eu quero, mas é muito bom – bom = prazeroso, por exemplo). Já a frase “me amo muito” é completamente diferente das acima, pois não diz de uma experiência, nem de uma competência, mas sim de um valor alto (muito) atribuído ao “eu” que tem um valor de “amor”, que é diferente de “gosto de mim”, por exemplo.

O ato de se valorizar, então, envolve determinar o que é valorizado (competência ou essência?), o “preço” disso (baixo, alto, pequeno, grande), a importância (importante, urgente, fundamental), o contexto (pessoal, pessoal e social ou social) e a qualidade (amo, forte, doce).

Podemos valorizar muitas coisas, emoções, por exemplo, são um dos alvos. A raiva é uma emoção que muitas pessoas atribuem valores altos, importantes, pessoais e sociais e as mais diversas qualidades “bom”, “ruim”, “força”. Então muitas pessoas ao sentirem raiva percebem isso como algo importante de alta importância e que é “bom” porque me faz “forte” para terminar a minha relação por exemplo. Este é o valor da raiva para esse raciocínio nesse contexto. Porém a mesma pessoa pode perceber a raiva como “ruim” quando quer se expressar durante a relação – e não consegue porque é explosiva. Nesse caso ela mantém o valor de importante, alta, pessoal e social, mas assume a qualidade de “ruim” ou “destruidor da relação”.

Também é possível valorizar-me, ou seja, atribuir valor ao que percebo que sou, minha auto imagem. Posso, ao refletir sobre eu, pensar que “gosto muito de mim, me vejo como alguém importante e que se sente bem em viver a vida que vive”. Neste caso observo quem sou e dou à isto que observo o valor de “gosto”, “muito”, “importante” e “que se sente bem” em viver a vida que leva, neste caso falo, também da minha experiência. É estranho refletir todas estas indexações como valores, porém é assim que funciona.

E em último lugar após valorizar é importante se permitir sentir a valorização. Muitas pessoa apenas dizem coisas belas sobre si, porém não as sentem. Sentir a valorização seria como se você estivesse se vendo à distância, observando sua auto imagem, então dá à ela os valores que julga adequados e, então, “entra” naquela imagem e a sente.  O segundo caminho é, depois de ter uma sensação sobre si, elaborar a imagem e, mais tarde entrar na imagem novamente. São duas vias: primeiro a imaginação e depois a sensação ou o contrário.

Espero que, com isto você consiga compreender melhor o que é valorizar e possa usar isso com você mesmo.

Abraço

About the Author Akim Rohula Neto

Akim Rohula Neto é natural de Curitiba onde nasceu e se criou. Descendente de russos e italianos desde cedo percebeu que as diferenças emocionais e na percepção de mundo podem trazer problemas e ser fonte de grande competências e conquistas. Realiza sua graduação em Psicologia na PUC-PR (1999-2003), no mesmo ano termina uma especialização em Psicologia Corporal no Instituto Reichiano (2000-2003) e em PNL (Programação Neurolingüística) com Leonardo Bueno (1999-2003). Mais tarde, sentindo a necessidade de uma compreensão maior sobre os fenômenos familiares busca no INTERCEF (2008-2010) a formação em Psicologia Sistêmica. Desde a graduação em 2004 trabalha com atendimento em psicoterapia para adolescentes e adultos e a partir de 2008 trabalha com casais e famílias. Além disso ministra palestras e workshops que visam o desenvolvimento de competências para desenvolvimento do auto domínio e da inteligência emocional.

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