Cérebro, emoção e psicoterapia

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Richard Davidson em seu livro “O estilo emocional do cérebro”, postula seis “pilares” que nos ajudam a definir um estilo emocional tomando por base evidências neurológicas para sustentar suas ideias.





Na percepção de Davidson cada cérebro possui uma maneira própria de organizar estes seis pilares e, com isso, cria uma configuração única na maneira de reagir às emoções assim como de gerá-las. Estes seis pilares não são fixos, uma das propostas do autor é, inclusive, elaborar metodologias que nos possibilitem influenciar cada um deles.

Cada pilar é “medido” seguindo uma série de questionários os quais Davidson propõe serem respondidos por pessoas que conhecem o avaliado para uma maior fidedignidade. Esta medição, no entanto, não objetiva uma “meta”, ou seja, a escala proposta pelo autor não afirma que estar no percentil mais elevado seja “bom”, ao contrário, ele mostra como ter muito de uma determinada característica pode ser bom ou ruim dependendo do contexto.





Os pilares que Davidson propõe são: resiliência, atitude, intuição social, auto percepção, sensibilidade ao contexto e atenção.

A resiliência nos traz a capacidade de se livrar de emoções negativas. A pesquisa de Davidson mostra que o cérebro de pessoas que saem de estados emocionais negativos com mais rapidez e/ou facilidade tem uma neurofisiologia distinta daquelas que demoram mais ou tem mais dificuldade. A atitude trata da capacidade em sustentar emoções positivas, em sua pesquisa, o autor percebeu que pessoas depressivas tinham um problema maior em sustentar emoções como orgulho e alegria do que, necessariamente, em sair das emoções como raiva e tristeza.

Intuição social é a capacidade de perceber sinais dados por outras pessoas e reagir “de maneira adequada” à eles. A pessoa com alta intuição social, no entanto, pode sofrer por “perceber demais” ao ponto de não conseguir orientar-se pelas suas percepções. Auto percepção trata de como e quanto a pessoa consegue perceber os seus estados internos, as mudanças destes estados e reagir propriamente à estas mudanças. Se trata tanto da percepção corporal quanto de perceber comportamentos repetidos, sentimentos e pensamentos.





Sensibilidade ao contexto trata de um tipo de percepção que mescla perceber os outros e o tipo de situação que está sendo criada entre as pessoas. É o tipo de pessoa que consegue perceber – quando possui a característica – quando irá ocorrer uma briga, por exemplo. Já a atenção existe em duas formas distintas: a primeira a seletiva, que atua selecionando aquilo à que prestamos atenção – se concentrar num texto mesmo no meio de uma sala com pessoas conversando – e a atenção aberta, que envolve prestar atenção no texto e nas conversas sem julgar nada.

No trabalho clínico estes pilares ajudam a orientar o terapeuta no sentido de compreender como a pessoa percebe e sente suas emoções assim como a perceber onde ela tem mais dificuldades e de que maneira esta dificuldade atrapalha a pessoa a administrar seu mundo emocional. Com estas ferramentas em mãos pode-se elaborar boas estratégias afim de auxiliar a pessoa a lidar com suas características de uma forma mais saudável e em aprimorar algumas também.

About the Author Akim Rohula Neto

Akim Rohula Neto é natural de Curitiba onde nasceu e se criou. Descendente de russos e italianos desde cedo percebeu que as diferenças emocionais e na percepção de mundo podem trazer problemas e ser fonte de grande competências e conquistas. Realiza sua graduação em Psicologia na PUC-PR (1999-2003), no mesmo ano termina uma especialização em Psicologia Corporal no Instituto Reichiano (2000-2003) e em PNL (Programação Neurolingüística) com Leonardo Bueno (1999-2003). Mais tarde, sentindo a necessidade de uma compreensão maior sobre os fenômenos familiares busca no INTERCEF (2008-2010) a formação em Psicologia Sistêmica. Desde a graduação em 2004 trabalha com atendimento em psicoterapia para adolescentes e adultos e a partir de 2008 trabalha com casais e famílias. Além disso ministra palestras e workshops que visam o desenvolvimento de competências para desenvolvimento do auto domínio e da inteligência emocional.

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