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O que é infidelidade?

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A infidelidade é um dos maiores medos das pessoas ao se relacionarem. Embora a associação mais frequente seja com o adultério, ou seja, a infidelidade sexual, existem outras maneiras de ser infiel que são tão ou mais danosas à relação.





Para compreender a infidelidade, é necessário compreender sua origem. A palavra “infiel” refere-se à um “não-crente” ou alguém que “não mantém a fé”. A “fé”, no contexto dos relacionamentos tem a acepção de “crença” e, também, de “ato”, ou seja, um “ato de fé”: ajo porque creio. “Creio” no que? Na relação.

A relação estabelece um “acordo” entre os envolvidos. A base deste acordo é a confiança. Quando se entra em uma relação existe uma premissa de confiar na outra pessoa afim de que o acordo possa existir e em cima dele a relação ser criada. Quando existe uma infidelidade, o que ocorre é uma quebra nesta crença fundamental que norteia o acordo sobre o qual a relação é criada.





O ato de infidelidade, portanto, refere-se à quebra de qualquer nível deste acordo. Por esta razão a infidelidade pode ser sexual, porém, muitas vezes esse é o nível menos importante. Em geral, a infidelidade sexual é apenas o resultado de uma série de infidelidades que tornaram o relacionamento insustentável, sendo a sexual a “cereja do bolo”.

Quando se fala em infidelidade, então, se fala em regras. Aqui o problema se instala na maior parte das relações pelo fato das pessoas não comunicarem de forma clara aquilo que querem em uma relação. A falta de comunicação pode, por si só, ser tratada como uma infidelidade. Se é importante a confiança, preciso saber no que confiar e sobre como o outro vai confiar em mim. Assim sendo, se uma das pessoas mantém-se calada sobre algo que lhe é importante e permite que isso traga insatisfação e raiva para dentro da relação, isso pode ser considerado uma traição porque afasta o casal e cria falta de intimidade.

A intimidade e a confiança são as grandes vítimas das infidelidades. O autor Frank Pittman em seu livro “Mentiras privadas” afirma que “do modo como eu a defino, a infidelidade é uma quebra da confiança, a traição de um relacionamento, o rompimento de um acordo” (PITTMAN, 1994, pg 04). A infidelidade, portanto, é todo ato que desconstrói a confiança, atrapalha ou impossibilita a honestidade e a intimidade do casal.





Percebida desta maneira, a infidelidade se torna um elemento muito maior e mais profundo do que apenas a temida ameaça sexual. Pequenos rompimentos de acordos importantes podem ser tão prejudiciais quanto a traição sexual. Esconder gastos, não revelar pensamentos e sentimentos, deixar suas prioridades de fora da relação em nome do outro são comportamentos que podem fazer a confiança e a intimidade ruir, destruindo a relação e tornando-a “indigna de fé”. Quando um ou ambos os conjugues olham para a relação como um acordo o qual eles não são capazes de crer é o momento em que tudo termina.

Assim sendo, é importante que os conjugues saibam como deixar claro aquilo que lhes é importante. Não se trata de “discutir a relação”, mas sim em deixar claro os valores e cláusulas pelas quais cada um percebe que uma relação deve ser feita e mantida. A percepção desses elementos é o que vai nortear a vida de ambos, é o “acordo” em cima do qual tudo será erigido.

Junto com isso, obviamente, entra o trabalho pessoal de cada um em ter claro para si o que quer. Frustrações e arranjos ao longo de uma relação fazem parte e são saudáveis, porém, para que ocorram é necessário que cada um sabia de si, tenha auto conhecimento assim como disponibilidade emocional para mostrar ao ouro aquilo que deseja. O preço de não fazer isso não é apenas o de desestabilizar a relação, mas, também, de ser infiel com você mesmo e talvez seja esta a maior infidelidade de todas: a sua traição por você mesmo.

About the Author Akim Rohula Neto

Akim Rohula Neto é natural de Curitiba onde nasceu e se criou. Descendente de russos e italianos desde cedo percebeu que as diferenças emocionais e na percepção de mundo podem trazer problemas e ser fonte de grande competências e conquistas. Realiza sua graduação em Psicologia na PUC-PR (1999-2003), no mesmo ano termina uma especialização em Psicologia Corporal no Instituto Reichiano (2000-2003) e em PNL (Programação Neurolingüística) com Leonardo Bueno (1999-2003). Mais tarde, sentindo a necessidade de uma compreensão maior sobre os fenômenos familiares busca no INTERCEF (2008-2010) a formação em Psicologia Sistêmica. Desde a graduação em 2004 trabalha com atendimento em psicoterapia para adolescentes e adultos e a partir de 2008 trabalha com casais e famílias. Além disso ministra palestras e workshops que visam o desenvolvimento de competências para desenvolvimento do auto domínio e da inteligência emocional.

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