Esse no espelho sou eu? Quando a consciência-de-si emerge

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É estranho pensar que existiu uma época em nossas vidas em que não tínhamos o conceito do “eu”, simplesmente não sabíamos quem éramos. Um estudo feito na década de 70 comprovou que não conseguimos nos reconhecer no espelho antes dos dois anos de idade, devido a este estudo e a muitos outros que o seguiram, muitas pessoas afirmam que só depois do nosso segundo aniversário é que temos consciência do nosso eu, mas será que isso é verdade? Vamos à resposta.





A mancha de rouge no nariz

Em 1972 Beulah Amsterdam, da Universidade da Carolina do Norte, publicou um estudo que derrubou décadas de pesquisa e deu o pontapé inicial rumo à consciência-de-si (Amesterdam, 1972). O procedimento do estudo era simples: 88 bebês com idades entre 6 e 24 meses foram colocados em frente a um espelho, todos eles tinham uma pequena mancha cor rouge em seus narizes. Em seguida as mães apontavam para o reflexo do bebê no espelho e perguntavam quem era aquele no espelho. Os pesquisadores assistiam o comportamento dos bebês durante os testes.






Foram testados 88 bebês, mas só 16 deles puderam fornecer dados confiáveis, pois o restante não conseguiu participar da brincadeira: se distraíam, choravam, faziam qualquer coisa menos olhar para o espelho. Esses 16 bebês foram classificados em três categorias:
  1.  6-12 meses:  O bebê se comporta como se o reflexo no espelho fosse outra pessoa. Os bebês nessa faixa de idade exibiam comportamentos de aproximação, sorriam ou faziam barulhos. Ficavam curiosas com relação àquela criança no espelho(que era ela mesma).
  2. 13-24 meses:Nessa idade os bebês já não pareciam tão entusiasmados ao verem sua imagem no espelho. Alguns pareciam cuidadosos, outros riam e faziam barulhos. Uma interpretação desse comportamento é que bebês nesse estágio estão criando a consciência do eu.
  3. 20-24 meses: Sou eu! Nessa idade os bebês já se reconheciam claramente, apontavam para a mancha ruge em seus próprios narizes. Isto sugere fortemente que eles reconheciam a imagem como própria, tomaram consciência do eu, tanto que apontaram para a mancha ruge em seus próprios narizes.

Esse estudo é uma simplificação da complexidade psicológica que envolve esse tema. Os principais questionamentos sobre o teste do espelho são se a criança antes dos dois anos sabe quem ela é, e apenas não reconhece muito bem o próprio rosto no espelho, ou se a criança a partir dos dois anos tenha reconhecimento visual de si mesma, e que o reconhecimento mental ainda não tenha sido totalmente desenvolvido.






Estes são dois questionamentos comuns que o teste implica, no entanto, o teste no espelho se mostrou resistente ao longo dos anos, ao contrário de vários outros que já caíram no esquecimento.

Para corroborar com essa informação, é somente a partir dos dois anos que a criança começa a criar uma maior interação social. Elas se tornam capazes de distinguir-se dos outros, pois isso é extremamente importante para que ela desenvolva relações sociais bem sucedidas. Seria improvável que as crianças fossem capazes de construir relacionamentos com os outros sem ter um conceito limitado de si mesmas, em outras palavras, sem saber quem são.

Fonte: Spring traduzido e adaptado por Psiconlinews

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