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Depressão: Por que um animal de estimação pode ser mais eficaz que um antidepressivo

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Um novo estudo mostrou que a adoção de um animal de estimação pode ser mais eficaz do que imaginávamos na luta contra a depressão.

Depressão





A depressão ou, mais especificamente, o transtorno depressivo maior, é uma doença mental caracterizada por dificuldades de regulação do humor. O transtorno depressivo maior também está associado à perda de energia, dificuldades de concentração, falta de interesse em atividades anteriormente agradáveis, sentimentos de tristeza e desesperança, mudanças significativas no sono e no apetite, sentimentos de culpa ou inutilidade, preocupação com pensamentos de morte, etc.

Durante um único ano, a depressão acomete quase 7% da população, sendo a maior parte deles mulheres – a depressão é 1,5 a 3 vezes mais comum em mulheres do que em homens.

Tratamentos





A pesquisa mostrou que tanto a medicação quanto a psicoterapia podem ser úteis no tratamento da depressão.

Vários medicamentos, incluindo inibidores seletivos da recaptação da serotonina ( ISRSs ), como o Prozac e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs), como o Cymbalta, têm se mostrado eficazes no tratamento farmacológico da depressão.

Da mesma forma, uma série de intervenções psicológicas – como a terapia cognitivo-comportamental, a terapia interpessoal e ativação comportamental – também são consideradas benéficas no tratamento da depressão.

Às vezes, no entanto, a depressão não responde ao tratamento. A depressão resistente ao tratamento (DRT) tem sido definida mais recentemente como depressão que não responde a medicações ou terapias psicológicas.

Uma série de opções de tratamento para TRD estão disponíveis e podem ajudar. Estes incluem a troca de medicamentos, combinando-os (por exemplo, um medicamento SSRI com um antipsicótico atípico) ou combinando medicação e psicoterapia. As opções menos usadas são a eletroconvulsoterapia (ECT), a estimulação do nervo vago, a estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS) e, finalmente, a psicocirurgia.

Mas podemos estar negligenciando outra possibilidade, talvez menos complicada, cara e arriscada.

Pets





A posse de um animal de estimação tem várias vantagens potenciais. Animais de estimação podem ser a companhia de pessoas solitárias e servir como catalisadores para a formação de amizades. Muitos donos de animais também costumam fazer mais exercícios (por exemplo, precisam andar com seus cães), e cuidar e amar seus animais de estimação torna suas vidas mais significativas. Diversos estudos mostraram os benefícios da interação regular com os animais e a posse de animais de estimação. Para ilustrar, um estudo de 1992 descobriu que a posse de animais está associada a níveis mais baixos de fatores de risco para doenças cardíacas.

No presente estudo, Pereira e Fonte tentaram determinar se a adoção de um animal de estimação também poderia ser útil para pessoas com depressão resistente ao tratamento.

A nova pesquisa

Inicialmente, os pesquisadores contactaram 80 pacientes (50 mulheres e 30 homens) que apresentavam depressão resistente ao tratamento e estavam recebendo tratamento medicamentoso por nove a 15 meses sem melhora. Os pesquisadores encorajaram esses pacientes a adotarem um animal de estimação.

Destes pacientes, 33 (25 mulheres e 8 homens) concordaram em adotar um animal de estimação. Para fins de comparação, os pesquisadores usaram outros 33 indivíduos, que foram sorteados aleatoriamente, dos pacientes restantes – dos que não adotaram ou já possuiam animais de estimação – para servir como um grupo controle (doravante conhecido como grupo sem animal de estimação).

Entre os 33 que aceitaram a sugestão de adoção do animal de estimação, 18 adotaram um cão, 7 adotaram dois cães e 7 adotaram um gato. Os grupos com animais de estimação e sem animais de estimação mantiveram o mesmo tratamento medicamentoso em andamento. Nenhum grupo estava ciente da existência do outro.

Os pacientes foram avaliados várias vezes nos três meses seguintes. Uma das principais medidas utilizadas foi a Escala de Depressão de Hamilton (HAMD-17), que inclui questões relacionadas à culpa, insônia e outros sintomas depressivos. A pontuação acima de 23 nesta medida é geralmente associada à depressão grave, enquanto a pontuação menor que 7 indica ausência de depressão.

Os resultados, ao final das 12 semanas, mostraram que o grupo com animais tinha feito melhorias significativas, tanto em comparação com o início do estudo, como também em comparação com o grupo sem animal de estimação.

Por exemplo, um terço do grupo com animais de estimação não atenderam mais aos critérios de depressão (ou seja, pontuaram menos de 7 em HAMD-17). As pontuações do grupo no HAMD-17 começaram a diminuir um mês depois do estudo, e no segundo mês as pontuações foram significativamente diferentes daquelas do grupo sem animal de estimação.

Estes resultados parecem mostrar que a adoção de um animal de estimação é útil na gestão de depressão resistente ao tratamento. No entanto, devemos ser cautelosos na interpretação dos resultados, dado que o estudo não incluiu a atribuição aleatória. Em outras palavras, não podemos ter certeza de que a posse de animais foi a única grande diferença entre os grupos e, portanto, responsável pelos diferentes resultados.

Ainda assim, esses resultados são promissores e acrescentam resultados de pesquisas anteriores que mostram os benefícios da interação com animais.

Talvez um dia, junto com recomendações para novas combinações de medicamentos ou medidas mais drásticas, como a ECT, um médico pegue um bloco de receitas e escreva: “Eu recomendo que você tenha um cão ou um cachorro adorável”.

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