Nos últimos anos a taxa de suicídio aumentou significativamente em vários países do mundo. No entanto, para muitas pessoas isso ainda é um assunto tabu e elas não são informadas, ou sabem identificar, os sinais de alerta, portanto, a possibilidade de preveni-lo é complicada.






Isso está relacionado à falta de sensibilidade em muitos países sobre a saúde mental, já que muitas vezes o suicídio é uma das conseqüências do sofrimento de um transtorno mental que não foi tratado adequadamente.

A ideação suicida é algo que qualquer um pode experimentar, e é por isso que é importante sabermos sobre o assunto, saber o que é verdade sobre suicídio e o que são mitos, e como ajudar uma pessoa que conhecemos e que está passando um momento difícil e tem ideação suicida.

Características de suicídio

As principais características comuns do suicídio são as seguintes.

1. Estímulo

O que leva uma pessoa a cometer suicídio geralmente é uma dor psicológica insuportável.

2. Propósito

O objetivo é encontrar uma solução para que essa dor acabe.

3. Emoção






A pessoa pode experimentar várias emoções, como vergonha, culpa e desesperança.

4. Atitude interna

Em muitos casos, o indivíduo tem um sentimento de ambivalência sobre o fato: por um lado, ele quer morrer para acabar com essa dor, mas, por outro, ele espera ser resgatado; uma luta entre nossa pulsão de vida e nossa pulsão de morte.

5. Meta

Semelhante ao propósito, o objetivo é acabar com a autoconsciência que carrega toda a dor psicológica.

6. Estado cognitivo

A pessoa está em um estado de constrição no qual vê o suicídio como a única opção e dificilmente consegue enxergar outras alternativas para alcançar o objetivo.

Prevenção do suicídio: sinais de risco

Cada pessoa pode expressar ou comunicar sua ideação suicida à sua maneira, verbal ou não verbal. Pode ser fácil reconhecer quando ele fala abertamente frases como “eu sou inútil”, “eu não quero mais viver”, “todo mundo ficaria melhor se eu morresse”, “minha vida não tem sentido”, entre outras. No entanto, há sinais que não são tão fáceis de identificar e podem passar despercebidos, como o fato de a pessoa ficar mais apática, passa a ter padrões irregulares de sono, começa a querer livrar-se de alguns pertences, ou apresentam humor depressivo.

Quando uma intervenção psicológica é realizada com um paciente que tem ideação suicida e/ou que tenha tentado acabar com sua vida, será importante começar a investigar usando palavras ou termos que tenham sido ditos pelo mesmo paciente, para evitar que ele se sinta julgado ou que interpretações incorretas da situação sejam feitas.

Nesses casos, os psicólogos fazem perguntas neutras, evitando críticas ou julgamentos. Com isso, você pode estabelecer uma relação de confiança paciente-terapeuta, já que você não se sentirá julgado e saberá que o terapeuta está realmente interessado em ajudá-lo.

Protocolo para avaliar ideação suicida

Para a avaliação de perigos, será importante levar em consideração 3 variáveis:

1. Plano






Até onde a ideia foi? Avalia-se se o paciente tem os meios para realizá-lo ou qual é a dificuldade ou facilidade em alcançá-lo.

2. História de tentativas anteriores

Pretende-se saber quantos foram, como aconteceram e como foram; em cada tentativa, a possibilidade de sucesso é aumentada.

3. Disponibilidade para usar assistentes externos

Pacientes solitários geralmente correm maior risco, pois não há ninguém que possa apoiar a contenção. Se o paciente estiver relutante em pedir ajuda, um plano de contingência deve ser planejado.

O objetivo é conseguir ganhar tempo para garantir o bem-estar do paciente e que um acordo seja alcançado.

Mitos sobre este tema

Embora algumas ideias sobre o suicídio já tenham sido alteradas, ainda existem alguns mitos que podem dificultar ou impedir sua prevenção. São as seguintes:

  • Tentativas de suicídio são para chamar a atenção.
  • As pessoas que realmente querem acabar com sua vida, não avisam, simplesmente o fazem.
  • Aqueles que cometem suicídio são egoístas ou corajosos (isso pode mudar a perspectiva das pessoas).
  • Se a informação é dada na mídia, isso faz com que mais pessoas o façam.
  • Suicídio não pode ser evitado.

As tentativas de suicídio são uma manifestação de desespero, frustração e dor psicológica. Se alguém comete suicídio não significa que ele era egoísta ou corajoso, mas que era uma pessoa com um nível muito alto de sofrimento. Normalmente, as pessoas “avisam” ou, de alguma forma, transmitem seu desejo de morrer, embora infelizmente nem sempre percebamos e não saibamos ler os sinais que elas nos transmitem.

A publicação de informações responsáveis ​​e precisas na mídia é uma ferramenta de prevenção muito útil, porque sim, o suicídio é evitável.